Brasil processa apenas 35% da soja colhida nas lavouras
Nos EUA, 62% da soja é processada e vendida com valor agregado, alerta o colunista Antonio Cabrera
Da redação
09/10/2026 11:39 • Atualizado há 38 min
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09/10/2026 11:39 • Atualizado há 38 min
A industrialização da soja e o fortalecimento do mercado de biocombustíveis são passos urgentes para o agronegócio brasileiro avançar na agregação de valor. A análise é do ex-ministro da Agricultura e colunista da BandNews TV, Antonio Cabrera, que alerta para o descompasso do Brasil em comparação com grandes economias agrícolas mundiais.
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Segundo Cabrera, os Estados Unidos processam cerca de 62% da soja colhida em seu território. Em contraste, o Brasil, maior produtor mundial da commodity (produto primário cotado internacionalmente), processa apenas 35% de sua safra total.
Para ele, os norte-americanos indicam o caminho correto ao utilizar os biocombustíveis como base da atividade industrial nacional. Ele também aponta que a alta demanda interna tem acelerado os investimentos em infraestrutura no mercado dos Estados Unidos.
De acordo com projeções da Agência Ambiental Americana para 2026, o consumo de biodiesel no país deve registrar elevação de 60% na comparação com o ano anterior. O ex-ministro pondera que o setor produtivo nacional permanece estacionado na mistura de 15% (B15).
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Caso o ritmo brasileiro de esmagamento atingisse os patamares norte-americanos, o processamento interno saltaria de 67 milhões para quase 112 milhões de toneladas. Seriam 48 milhões de toneladas a mais beneficiadas em indústrias nacionais.
Esse volume adicional ultrapassa a metade de todo o grão exportado para a China no último ano. Cabrera ressalta que essa virada estratégica abriria postos de trabalho e aumentaria o potencial energético brasileiro.
O ex-ministro também menciona o caso da Indonésia, país que já trabalha com uma matriz de 50% de biodiesel no combustível fóssil (B50). Na avaliação dele, o mercado brasileiro tem capacidade para alcançar percentuais como B20, B30 ou até mesmo equiparar-se ao padrão indonésio.
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Uma evolução consistente nas misturas obrigatórias permitiria absorver o excedente de matéria-prima dentro do próprio território. Essa diversificação blindaria os produtores das oscilações de demanda dos compradores internacionais tradicionais.
Além de dinamizar as usinas de processamento, a medida estimularia a circulação de riquezas nas regiões produtoras do interior brasileiro. Cabrera enfatiza que a infraestrutura técnica e o suprimento agrícola do Brasil estão prontos para essa transição energética.
Outro gargalo estrutural apontado pelo especialista envolve o seguro rural (mecanismo financeiro que indeniza o agricultor em perdas causadas por intempéries climáticas). Hoje, apenas 3,3% da área agrícola do país conta com o respaldo do programa federal de subvenção.
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Em contrapartida, a China estabeleceu como meta cobrir aproximadamente 90% das áreas cultivadas com arroz, trigo e milho. O colunista frisa que essa disparidade expressa a diferença na gestão governamental do risco produtivo diante de eventos extremos.
Para Cabrera, a contratação de garantias financeiras no campo ultrapassa os interesses privados do produtor e atua como ferramenta essencial de segurança alimentar. O abastecimento regular e a estabilidade dos preços dos alimentos nos supermercados dependem dessa proteção.
O ex-ministro conclui que o Brasil tem domínio técnico e matéria-prima para liderar o mercado sustentável. Ele defende a criação célere de políticas públicas estruturantes para viabilizar tanto as usinas de biocombustíveis quanto os mecanismos de suporte às lavouras.
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Fonte: Band






