A expansão da atividade agropecuária sobre as zonas de amortecimento na Amazônia registrou uma alta expressiva de 561% nos últimos 41 anos. O avanço acelerado fez com que o setor produtivo passasse a ocupar praticamente um terço de toda a área situada no entorno imediato de territórios sob proteção ambiental e sociocultural.
Pressão crescente sobre reservas e terras indígenas
Os números fazem parte da Coleção 11 da plataforma MapBiomas, que monitorou as transformações de uso do solo no período entre 1985 e 2025. Ao todo, a agropecuária atingiu uma cobertura de 65,2 milhões de hectares no bioma amazônico no último ano analisado.
Do montante total ocupado por pastagens e lavouras, 13,6 milhões de hectares estão situados nas proximidades de Unidades de Conservação, Territórios Quilombolas e Terras Indígenas. Essa área sob pressão equivale, em extensão, a quase todo o território do estado do Amapá.
Proximidade com estradas amplia degradação
Além da vizinhança com áreas protegidas, o estudo destacou o papel determinante da malha rodoviária na transformação da paisagem florestal. Ao mapear cerca de 618 mil quilômetros de vias na região, os pesquisadores constataram uma relação direta entre o acesso viário e a perda florestal.
Em um raio de até cinco quilômetros a partir das margens das pistas — o que corresponde a aproximadamente 157 milhões de hectares —, 40% da vegetação nativa já foi convertida para o cultivo agrícola ou para a criação de gado. O mapeamento confirma que o afastamento das rodovias diminui sensivelmente o ritmo de degradação da floresta.
Desmatamento atinge mínima histórica, mas preocupa
O levantamento também consolidou as taxas anuais de perda de vegetação nativa. Em 2025, o corte raso atingiu 693 mil hectares, consolidando-se como o menor patamar registrado em toda a série histórica.
Apesar da retração estatística no desmatamento total, especialistas alertam para a gravidade das perdas mais recentes: a quase totalidade das derrubadas computadas incidiu sobre trechos de mata primária, onde a floresta permanecia completamente intacta.
Fonte: Sapicuá






