Dia Mundial da Alimentação: o paradoxo do agro forte e da comida cara

No Dia Mundial da Alimentação, agro alimenta o mundo, mas comida pesa no bolso

O Brasil celebra o Dia Mundial da Alimentação dividido entre o orgulho pela potência de sua produção agrícola e o desafio cotidiano da alta nos preços dos supermercados. Criada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a data é comemorada nesta sexta-feira (16) para reforçar que produzir é apenas parte do processo, sendo fundamental garantir acesso, qualidade e preços justos.

A força do setor agropecuário no cenário global

Para marcar a ocasião, parlamentares, autoridades governamentais e representantes do setor produtivo se reuniram em sessão solene no Congresso Nacional. Sob o mote “Inovar hoje para nutrir o amanhã”, o evento destacou como a ciência, a tecnologia e a pesquisa tropical elevaram o país ao patamar de gigante na oferta global de mantimentos.

Os números do comércio exterior refletem esse protagonismo. De acordo com a plataforma Agrostat, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, as exportações do agronegócio somaram US$ 133,6 bilhões entre janeiro e setembro, registrando um crescimento de 5,5% em comparação ao mesmo período anterior.

Durante a solenidade, a senadora Tereza Cristina, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, pontuou que a agricultura tropical brasileira se consolidou como referência internacional. “A agricultura tropical brasileira se tornou exemplo de como ciência, inovação e tecnologia transformaram o país em campeão mundial de produção e exportação de alimentos”, afirmou.

No mesmo sentido, o senador Jayme Campos ressaltou a relevância econômica da atividade. Ele declarou que o Brasil é “uma das maiores potências agrícolas do mundo” e que transformou sua vocação produtiva em uma das principais engrenagens da economia nacional.

O impacto no orçamento das famílias brasileiras

Apesar do desempenho bilionário nas vendas externas, a realidade interna revela obstáculos para a segurança alimentar da população. Um levantamento do Instituto Mises, baseado em índices do Procon de São Paulo e do Dieese, apontou que itens essenciais acumularam aumentos de até 61% entre 2022 e 2026.

O café em pó (500g) subiu de R$ 15,48 para R$ 24,86, uma alta de 61%. Já o leite longa vida encareceu 24%, enquanto o quilo da carne de primeira passou de R$ 42,01 para R$ 50,49, representando um acréscimo de 20%.

Fatores que encarecem a cadeia produtiva

Para analistas e representantes do setor, a solução para o problema exige políticas públicas abrangentes. O vice-presidente de Finanças da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Humberto Miranda Oliveira, frisou que a questão vai além da lavoura. Ele argumentou que “a fome não se combate apenas alimentando a produção” e que é preciso “combater a pobreza, ampliar oportunidades de trabalho e garantir condições para que os alimentos cheguem a preços acessíveis à população”.

Outro ponto nevrálgico discutido no Congresso foi a necessidade de crédito rural adequado e de investimentos em infraestrutura e regularização fundiária. O senador Jayme Campos criticou a moradia irregular no campo, apontando que produtores instalados há décadas em suas terras continuam sem acesso a financiamentos bancários por falta de títulos definitivos.

O Dia Mundial da Alimentação evidencia que o Brasil precisa conciliar seu papel de celeiro do mundo com o compromisso de assegurar que o próprio cidadão tenha acesso a uma alimentação farta e de custo acessível.

Fonte: ND Mais

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