A relevância da pesquisa científica para a produção sustentável ganhou destaque nacional com a presença de Iêda de Carvalho Mendes, vinculada à Embrapa Cerrados, na edição de 2026 da tradicional lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro, publicada pela revista Forbes Brasil. Apresentado na quinta-feira (15), durante o Dia Internacional da Mulher Rural, o mapeamento seleciona nomes que exercem forte impacto, liderança e capacidade de transformação no agronegócio do País.
Protagonismo da ciência e liderança feminina
Ao lado de outras oito especialistas da instituição de pesquisa, entre as quais a presidente da entidade, Silvia Massruhá, a pesquisadora teve sua contribuição técnica e acadêmica exaltada. O levantamento abrange desde produtoras rurais e executivas até empreendedoras de variadas regiões brasileiras, com foco em valorizar quem ocupa postos estratégicos e modifica os padrões tradicionais de manejo na agropecuária.
Para a cientista, figurar no grupo reforça o papel transformador da atividade acadêmica no campo. “Considero uma grande honra estar entre mulheres tão incríveis, que exercem papéis fundamentais no agronegócio brasileiro. Fico especialmente feliz por ver a pesquisa científica reconhecida como uma força capaz de promover mudanças reais na agricultura”, afirmou.
Iêda também apontou a urgência de ampliar a ocupação de mulheres em cargos de formulação e governança. “Quanto maior a diversidade de pessoas pensando, pesquisando e tomando decisões, maior será nossa capacidade de enfrentar os desafios da agricultura e construir sistemas produtivos mais sustentáveis, resilientes e comprometidos com a saúde do solo”, ressaltou.
Inovação tecnológica para a saúde do solo
Entre as principais realizações de Iêda Mendes está a condução do projeto que originou a BioAS (Bioanálise de Solos). Lançada em 2020 pela Embrapa, a tecnologia transformou o Brasil em referência ao inserir a medição de parâmetros biológicos nos procedimentos rotineiros de amostragem agronômica.
O método analisa o comportamento das enzimas beta-glicosidase e arilsulfatase, diretamente associadas às dinâmicas do carbono e do enxofre. Ao complementar a tradicional verificação de nutrientes químicos, a ferramenta detecta alterações na atividade biológica decorrentes do manejo, permitindo tomadas de decisão mais assertivas e ecológicas pelos produtores.
A cientista frisou que o tributo concedido pela publicação coroa um esforço de equipe. “Mostra que a ciência que fazemos está ultrapassando os limites dos laboratórios e chegando ao campo, contribuindo para transformar a maneira como avaliamos e manejamos nossos solos”, destacou.
Sua atuação também foi crucial para estruturar a Plataforma Saúde do Solo BR, apresentada em Belém (PA) no decorrer da COP30, em novembro de 2025. O portal reúne dados detalhados para direcionar o monitoramento ecológico e orientar práticas sustentáveis na produção rural.
Carreira dedicada à microbiologia agronômica
Graduada em Agronomia pela Universidade de Brasília (UnB) e com doutorado em Ciência do Solo concluído na Oregon State University, nos Estados Unidos, Iêda Mendes ingressou no quadro de pesquisadores da Embrapa em 1989. Sua trajetória profissional é marcada pelo foco na microbiologia e na conservação dos sistemas agrícolas.
Esse histórico rendeu homenagens prévias, como a entrega do Prêmio Norman Borlaug de Sustentabilidade, recebido durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, sob organização da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).
A lista da Forbes Brasil, inaugurada em 2021, baseia sua seleção em três eixos principais: o poder de decisão institucional, o impacto mensurável das ações desenvolvidas e a influência para catalisar mudanças sustentáveis no setor produtivo.
Fonte: A Embrapa






