A expansão de mercados internacionais e a formulação de novos acordos comerciais concentram pontos centrais nas plataformas de governo apresentadas por Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República. Frente a atritos geopolíticos e medidas protecionistas ao redor do globo, ambos os candidatos delineiam caminhos distintos para resguardar a competitividade do produtor rural e atrair capital estrangeiro, conectando o agronegócio a pautas de sustentabilidade, inovação tecnológica e diplomacia.
Flávio Bolsonaro aposta em pragmatismo e entrada na OCDE
O plano de governo de Flávio Bolsonaro estrutura a atuação externa a partir de uma linha orientada pelo “profissionalismo, pelo pragmatismo e pelo interesse econômico brasileiro”. A diretriz visa conduzir negociações focadas em ganhos mútuos com polos determinantes do comércio global, incluindo Estados Unidos, China, União Europeia e nações asiáticas, além de buscar a recomposição de pontes diplomáticas consideradas deterioradas com Washington, Buenos Aires e Tel Aviv.
Como pilar de integração, o candidato defende retomar o processo de adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), atrelando a essa meta a extinção gradual do IOF sobre operações cambiais. A estratégia também prevê contornar sanções de potências estrangeiras por vias diplomáticas e impulsionar uma abertura econômica que facilite a compra de insumos e maquinários importados pelo agronegócio nacional.
No front da internacionalização produtiva, Flávio projeta a atuação conjunta do BNDES e da Apex-Brasil para apoiar médias e pequenas empresas rurais, ao mesmo tempo em que traça a meta de situar o país, até 2030, na liderança global de atração de aportes para a transição energética, com foco em biocombustíveis e hidrogênio verde.
Lula prioriza multilateralismo e fortalecimento regional
Por sua vez, Luiz Inácio Lula da Silva fundamenta suas propostas em uma diplomacia de caráter universalista e no respeito aos marcos multilaterais. Para proteger e expandir a agropecuária, a plataforma petista aposta no reforço de adidos agrícolas no exterior, na multiplicação de missões comerciais e na diversificação geográfica de clientes, tendo como base a abertura de 656 novos mercados para produtos agropecuários alcançada no mandato vigente.
A estratégia vincula o comércio exterior a diretrizes de agregação de valor às matérias-primas e modernização industrial. Com o respaldo de instrumentos como o Plano Brasil Soberano, a meta é ampliar a participação de itens com maior conteúdo tecnológico na balança comercial e manter a defesa ativa contra barreiras desleais sem abrir mão da cooperação ambiental, incluindo metas globais para deter o desmatamento e viabilizar a transição energética justa.
Na América do Sul, a prioridade declarada é revitalizar o Mercosul como plataforma integradora de infraestrutura, com ênfase em conexões bioceânicas rumo aos oceanos Pacífico e Caribe. O programa também contempla o desenho de um mercado energético comum na região e a expansão de iniciativas de cooperação técnica com países da África e da América Latina voltadas à segurança alimentar.
Fonte: CNN Brasil






