A atuação das mulheres na agropecuária brasileira ganha novos contornos com a divulgação de um panorama amplo sobre a liderança feminina no campo. Celebrando o Dia Internacional da Mulher Rural, celebrado em 15 de outubro, a segunda edição de um levantamento especial selecionou 100 nomes de destaque nacional para evidenciar como poder, capacidade de transformação e influência moldam as cadeias produtivas modernas.
Em vez de focar apenas em posições executivas convencionais, a iniciativa abrange pesquisadoras, produtoras, dirigentes associativas e empreendedoras que atuam nos bastidores e nas frentes de tomada de decisão. O mapeamento busca refletir a capilaridade da atividade agrícola, desde a ciência de ponta em laboratórios até a governança de grandes propriedades e entidades setoriais.
Critérios de curadoria: poder, impacto e influência
A análise que orientou a escolha dos nomes estabelece uma separação técnica entre três dimensões complementares. O poder traduz-se na faculdade de deliberar sobre investimentos, direcionamentos estratégicos e contingentes de equipes. O impacto relaciona-se com os efeitos práticos dessas decisões na modernização de práticas sustentáveis e ganhos produtivos.
Já a influência diz respeito à habilidade de mobilizar comunidades e orientar condutas setoriais, independentemente de fama imediata ou alcance em redes sociais. A relação compõe um mosaico diversificado em que cooperativas locais e comitês internacionais convergem.
Pioneirismo institucional e diplomacia corporativa
Entre as figuras centrais da iniciativa estão articuladoras que estruturaram fóruns de debate sobre a presença feminina nos negócios rurais. É o caso de Helen Jacintho, engenheira de alimentos e produtora que presidiu inicialmente o fórum temático do setor após ajudar em sua concepção em 2022. Na gestão das fazendas Continental (SP) e Regalito (GO), ela implementa metodologias da indústria, além de adotar confinamento intensivo com geração de biogás e biofertilizante via biodigestor. Jacintho também compõe o Cosag da Fiesp e cofundou o projeto De Olho no Material Escolar.
Na liderança atual do mesmo grupo de discussões está a economista Nina Plöger. Acionista do grupo florestal Melhoramentos, ela articula pontes entre o setor produtivo e negociações diplomáticas multilaterais. Fundadora do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Estratégico (IPDES), Nina integra comissões de sustentabilidade da Abag, o Cosag e participa ativamente de mesas econômicas conjuntas entre Brasil e Alemanha.
Representação política e avanços técnicos no setor produtivo
A ocupação de postos de liderança antes restritos a homens é um traço marcante em diferentes frentes da produção nacional:
Cadeias setoriais e defesa de produtos de valor
- Adriana Maugeri: Tornou-se a pioneira a chefiar a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Florestas Plantadas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), espaço de articulação entre produtores, academia e poder público.
- Adriana Reis: Especialista com doutorado em biologia e biotecnologia de micro-organismos, atua na gerência de qualidade do Centro de Inovação do Cacau (CIC), na Bahia, e coordena avaliações que credenciam amêndoas nacionais para competições globais. A especialista sintetiza seu foco de atuação com um aviso direto: É preciso que o produtor entenda a qualidade.
- Alessandra Zanotto Costa: À frente da Abapa até 2028, lidera agricultores da Bahia defendendo pautas como sustentabilidade, capacitação técnica e o incremento do escoamento de safras portuárias regionais.
Renovação geracional e sustentabilidade circular
- Amanda Pelizzer Lerin: Aos 24 anos, é a primeira mulher na diretoria do conselho da Cooperativa Vinícola Aurora em quase um século de funcionamento, promovendo a sucessão familiar na viticultura do Rio Grande do Sul.
- Amanda Hoch: Zootecnista responsável por fundar a Tilápia Leather, converteu resíduos da piscicultura em matéria-prima valorizada pelo mercado da moda internacional, produzindo couro exótico comercializado em diversos países.
Presença no sindicalismo e na pecuária de elite
- Ana Amélia Paulino: Advogada e criadora de gado Nelore, preside o Sindicato Rural de Porangatu, integrando a reduzida fatia feminina que comanda entidades de classe pecuárias no estado de Goiás.
- Ana Cláudia Mendes de Souza: Administradora e selecionadora das raças Guzerá e Nelore em Uberaba (MG), ocupa funções estratégicas de relações institucionais e internacionais na ABCZ.
- Ana Lúcia de Paula Viana: Primeira mulher a chefiar o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), atua desde 2023 como adida agrícola brasileira em Washington, defendendo o comércio nacional no mercado norte-americano.
O avanço contínuo dessas trajetórias demonstra que a participação das mulheres na gestão rural brasileira transcendeu o papel de apoio, tornando-se pilar indispensável para a governança, a abertura de mercados externos e a modernização do ecossistema do agronegócio.
Fonte: Forbes Brasil






