O setor produtivo nacional registrou 448 pedidos de recuperação judicial no agronegócio durante o segundo trimestre de 2026, o que representa uma retração de 20,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Panorama estadual e liderança de Mato Grosso
Apesar do alívio nos números gerais, o estado de Goiás somou 84 solicitações entre os meses de abril e junho, ocupando o segundo lugar no ranking nacional. A liderança ficou com Mato Grosso, que contabilizou 107 casos no mesmo intervalo.
Outros estados com forte expressão econômica também apareceram no levantamento da Serasa Experian: São Paulo registrou 72 ocorrências, Minas Gerais somou 54 e o Paraná contabilizou 42 pedidos.
Perfil das culturas e das empresas rurais
Entre as atividades desenvolvidas no campo, o cultivo de soja liderou o índice de insolvência, concentrando 70 solicitações. Logo depois veio a criação de bovinos, que acumulou 28 registros oficiais.
O indicador monitora tanto produtores individuais — que podem atuar como pessoa física ou jurídica — quanto companhias vinculadas a toda a cadeia de suprimentos do setor. Os pedidos de pessoas físicas caíram 10,5% (chegando a 197), enquanto as solicitações de produtores estruturados como pessoa jurídica despencaram 34,2%, totalizando 160 casos.
Análise por porte e cautela do mercado
Considerando o tamanho das propriedades, o grupo dos produtores chamados de “sem propriedades” (categoria que engloba arrendatários) atingiu 70 pedidos. Os grandes proprietários responderam por 51 solicitações, os pequenos por 39 e os médios fecharam com 37 registros.
Apesar da retração de 5,5% em comparação com o primeiro trimestre de 2026 — quando o país contabilizou 474 pedidos —, a Serasa Experian alerta que o cenário demanda prudência.
“A queda pode estar relacionada ao aumento da entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço das renegociações com credores”, afirmou Marcelo Pimenta, responsável pela área de agronegócio da empresa.
O executivo destacou ainda que o ambiente financeiro continua adverso devido aos custos elevados e às dificuldades na obtenção de crédito, o que torna fundamental observar os próximos trimestres para confirmar a tendência de baixa.
Fonte: Mais Goiás






