A entrada dos fertilizantes NPK na política nacional de minerais críticos tem o potencial de consolidar o reconhecimento estratégico desses insumos para a economia e para a soberania alimentar do Brasil. A avaliação positiva sobre o novo marco regulatório veio de Bernardo Silva, diretor executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), durante entrevista concedida ao CNN Agro News.
Avanço regulatório e infraestrutura estratégica
Para o dirigente, a decisão representa um marco inédito e um avanço expressivo ao posicionar tais insumos como pilares fundamentais para o desenvolvimento brasileiro. Com essa nova diretriz, o setor produtivo nutre a expectativa de que a dependência externa do país receba maior foco e atenção por parte do governo federal.
“É a primeira política minerária brasileira que inclui fertilizantes como minerais críticos e os considera como infraestrutura estratégica para o país”, afirmou.
Desafios na cadeia produtiva e retomada da Petrobras
Apesar de a reativação das fábricas de fertilizantes da Petrobras representar um passo relevante rumo à autossuficiência, a medida isoladamente não é capaz de sanar todos os gargalos estruturais da cadeia. As unidades que estão voltando a operar focam essencialmente em nitrogenados como ureia e amônia, enquanto o mercado interno segue dependente de itens trazidos de fora para outras categorias de produtos.
“O calcanhar de aquiles nosso está principalmente na dependência de matérias-primas”, disse Silva.
Nesse cenário, a escassez e o encarecimento de insumos como a amônia e o enxofre — este último base para o ácido sulfúrico e os fosfatados — comprometem a viabilidade financeira de minas e indústrias nacionais. Como consequência das paralisações setoriais, a importação de nutrientes tende a crescer, tornando a nação mais suscetível a instabilidades geopolíticas e quebras na cadeia global de suprimentos.
“Sem uma produção doméstica robusta, que segure o fornecimento de fertilizantes em épocas de crise, a gente não apenas corre um risco de desabastecimento como paga o preço dessas crises geopolíticas contidas na nossa importação de fertilizantes”, afirmou.
Disputa global por enxofre e transição energética
Além da volatilidade geopolítica de nações fornecedoras como Rússia, China e Marrocos, a escassez global de matérias-primas como o enxofre preocupa a indústria. A concorrência por esses volumes envolve mercados em expansão, como a hidrometalurgia voltada para a extração de níquel e as cadeias industriais focadas na transição energética e na fabricação de baterias.
“Então, o problema é na disputa e não apenas no preço. A criticidade no Brasil e no mundo continua”, afirmou Silva.
Fonte: CNN Brasil






