Uma nova tecnologia para identificação de bovinos e búfalos por meio da biometria do focinho, utilizando apenas a câmera de um aparelho celular, foi apresentada nesta segunda-feira (19) em Feira de Santana, na Bahia. Desenvolvida pela startup Raiz Brasil Agro, a ferramenta integra um conjunto de soluções modulares voltadas ao controle sanitário, à rastreabilidade e à administração de propriedades rurais, lançadas durante o encontro Café com o Produtor, na loja Cooperfeira Agro e Pet.
Como funciona o reconhecimento facial animal
O sistema examina as características físicas das narinas de cada cabeça de gado, em um processo equivalente à impressão digital humana. As imagens capturadas pelo telefone geram um prontuário individualizado onde o criador consegue associar origem, peso, dieta, vacinação e desempenho produtivo do animal.
Para atender fazendas situadas em regiões sem cobertura de rede celular, o aplicativo foi desenhado para funcionar sem conexão com a internet durante o manejo no campo. O trabalhador faz os registros de maneira offline e a plataforma sincroniza os dados automaticamente assim que o dispositivo recupera o acesso à rede.
Segundo os desenvolvedores, o mapeamento biométrico atua como complemento aos tradicionais brincos de identificação. O reconhecimento pelas linhas do focinho evita a perda de histórico provocada pela queda desses acessórios plásticos no pasto e elimina a necessidade de marcações com ferro em brasa no couro do gado.
Estrutura modular e gestão pecuária
A plataforma da empresa reúne recursos de controle zootécnico e financeiro que podem funcionar integrados ou de forma isolada. O evento de lançamento ocorreu em 19 de outubro de 2026 na loja Cooperfeira Agro e Pet, na cidade baiana, detalhando uma estrutura dividida em três módulos independentes: biometria, rastreabilidade e gestão econômica.
O módulo de rastreabilidade documenta áreas de pastoreio, origem da alimentação, trânsito entre fazendas, imunizações, lotes de medicamentos e a identificação dos profissionais responsáveis pelos procedimentos. Já o módulo econômico cuida de despesas, fluxo de caixa, cálculo do custo de produção por arroba e compartilhamento de relatórios com contadores e assistência técnica, embora os valores de assinatura não tenham sido divulgados.
Exigências do governo federal até 2032
O surgimento de ferramentas digitais para controle de rebanho coincide com a transição exigida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Em dezembro de 2024, a pasta lançou o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), diretriz que substitui o monitoramento sanitário por lote pelo registro individualizado.
O cronograma do PNIB estipula que todo o rebanho comercial brasileiro, estimado em mais de 230 milhões de cabeças, esteja identificado de forma unitária até o ano-limite de 2032. A partir de 2033, tal identificação passa a ser obrigatória para permitir a circulação de animais entre propriedades e frigoríficos no país.
Para estruturar o software perante essa exigência regulatória, a startup passou pela aceleração do Hub Salvador — polo de inovação gerido pelo Cepedi — e firmou parcerias de pesquisa aplicada com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), consolidando sua atuação no mercado agropecuário regional.
Fonte: Mix Vale






