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POLÍTICA ENERGÉTICA
Ministro André de Paula destaca papel do agro na transição energética durante reunião do CNPE
Publicado em
06/11/2026 16h05
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou, nesta sexta-feira (6/11), em Brasília, da 3ª Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), realizada na sede do Ministério de Minas e Energia (MME). O encontro contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e reuniu representantes do governo federal para discutir diretrizes e iniciativas voltadas ao planejamento energético nacional, com destaque para a transição energética, a ampliação do uso de fontes renováveis e o fortalecimento dos biocombustíveis.
Durante a reunião, o presidente Lula destacou o compromisso do Brasil com a sustentabilidade e a redução do desmatamento. Segundo ele, a preservação ambiental representa uma oportunidade de geração de renda e atração de investimentos para os produtores rurais e para o país.
“Precisamos começar a provar, de verdade, que preservar é melhor do que queimar ou derrubar. E o fato de preservar não significa criar problemas para o pequeno, o médio ou o grande produtor brasileiro. Hoje, possivelmente, seja mais lucrativo preservar do que derrubar para fazer pasto. Existem possibilidades de financiamento e precisamos mostrar às pessoas as novas oportunidades que surgem na agenda ambiental. Não é mais utopia, não é mais um sonho inatingível. São políticas concretas que podem se transformar em oportunidades lucrativas para os investidores”, afirmou o presidente.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também ressaltou o protagonismo brasileiro nas agendas climática e energética. Ele destacou os resultados na redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, além da participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional. “O Brasil é campeão dos biocombustíveis. Ninguém tem 32% de etanol anidro na gasolina, só o Brasil. Outro grande tema mundial é a energia, especialmente diante da crescente demanda para atender à inteligência artificial. O Brasil é um grande protagonista, com energia limpa, renovável e abundante”, afirmou.
AGRO É PARTE DA SOLUÇÃO DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
Na ocasião, o ministro André de Paula destacou o papel estratégico do agronegócio brasileiro na transição energética, ressaltando a capacidade do setor de contribuir simultaneamente para a produção de alimentos e de energia renovável. “O agro é parte da solução da transição energética, e alimento e energia se somam. Os biocombustíveis já são o principal instrumento de descarbonização do transporte no país: há mais etanol na gasolina, com o E32 desde 1º de agosto de 2026, e mais biodiesel no diesel, com o B15 desde 1º de agosto de 2025. O mesmo campo e a mesma indústria produzem comida e energia, sem disputa entre as duas”, afirmou.
O Brasil conta com um modelo de integração entre agricultura e energia renovável que reúne diferentes cadeias produtivas, com destaque para etanol, biodiesel, biometano, bioeletricidade e combustível sustentável de aviação (SAF).
Nos últimos anos, o país ampliou os percentuais de mistura dos biocombustíveis aos combustíveis fósseis. A participação do etanol anidro na gasolina passou de E27 para E30 e, posteriormente, E32, com perspectiva de alcançar E35. No diesel, a mistura obrigatória de biodiesel avançou de B10 para B12, B14 e B15, com possibilidades de novas ampliações.
A expansão dos biocombustíveis contribui para reduzir as emissões de gases de efeito estufa sem exigir a substituição imediata da frota nacional. Também fortalece a segurança energética, reduz a dependência de combustíveis fósseis importados e estimular investimentos e a geração de empregos no interior do país.
Outro aspecto destacado pelo ministro foi a complementaridade entre a produção de alimentos e a geração de energia. A experiência brasileira demonstra que as duas atividades podem avançar simultaneamente, inclusive por meio do aproveitamento de coprodutos que agregam valor às cadeias agropecuárias.
Na produção de etanol de milho, por exemplo, cada tonelada de matéria-prima rende cerca de 420 litros de etanol e 300 quilos de DDG (grãos secos de destilaria), utilizado na alimentação animal e importante para as cadeias de carnes, leite e proteína animal.
Na indústria sucroenergética, além do açúcar e do etanol, o bagaço da cana é utilizado na geração de bioeletricidade. Outros resíduos também podem ser aproveitados na produção de biogás, biometano e fertilizantes orgânicos.
Já na cadeia do biodiesel, o processamento de oleaginosas, como a soja, também gera farelo proteico destinado à alimentação animal, fortalecendo a produção pecuária.
Essa integração amplia o aproveitamento das matérias-primas, diversifica as fontes de renda do produtor e agrega valor à produção nacional, reforçando a contribuição do agronegócio para uma matriz energética mais limpa e sustentável.
DELIBERAÇÕES DO CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA ENERGÉTICA
A 3ª Reunião Extraordinária do CNPE também discutiu medidas voltadas ao fortalecimento do planejamento e a governança da política energética brasileira. Entre os temas da pauta esteve a aprovação do Plano Nacional de Transição Energética (Plante), que contará com um grupo técnico para apoiar sua implementação.
O Conselho também tratou de diretrizes para a elaboração de um mapa do caminho para uma transição energética justa e planejada, com redução gradual da dependência de combustíveis fósseis e proposição de mecanismos de financiamento.
A pauta ainda incluiu a Estratégia Nacional de Dados Energéticos 2027–2031 e a criação de grupos de trabalho sobre eletromobilidade e valorização energética de resíduos e medidas relacionadas à mistura de biocombustíveis nos derivados de petróleo.
Outra deliberação abordou o ajuste das regras do Fator de Uso do Combustível Renovável (FUCR), no âmbito do Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), para estabelecer sua aplicação em base energética.
As iniciativas integram o esforço de planejamento de longo prazo do governo federal para conciliar segurança energética, expansão das fontes renováveis, desenvolvimento econômico e redução das emissões de gases de efeito estufa.
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Fonte: Governo Federal






