A indústria brasileira de carne bovina discute a possibilidade de negociar uma cota própria de exportação para os Estados Unidos, com volume entre 100 mil e 200 mil toneladas por ano. A ideia, mencionada nos bastidores da 65ª Conferência Anual do MICA (Meat Import Council of America), realizada nesta semana no Arizona, busca dar maior previsibilidade ao acesso brasileiro ao mercado americano.
A possibilidade ainda não representa uma proposta oficial apresentada ao governo dos Estados Unidos nem uma negociação formal em andamento. É uma alternativa discutida pelo setor em um momento de mudanças no comércio bilateral e de necessidade americana de ampliar as fontes de abastecimento.
Durante sua participação em um painel sobre política comercial, na quarta-feira (4), o presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Roberto Perosa, reforçou a importância da relação entre os dois países.
Menor rebanho dos EUA desde 1951
Os Estados Unidos começaram 2026 com um rebanho de 86,2 milhões de bovinos e bezerros, o menor patamar para janeiro desde 1951, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O número de matrizes, estimado em 27,6 milhões de cabeças, também atingiu o menor nível da série histórica.
A oferta restrita tem reflexos nos preços ao consumidor. Em projeção divulgada em outubro, o USDA estimou uma alta de 8,7% nos preços médios da carne bovina e de vitelo em 2026, bem acima dos 2,8% previstos para o conjunto dos alimentos.
O custo da carne também ganhou espaço no debate político americano. Como mostrou a analista de agro e apresentadora do CNN Agronews Isadora Camargo, os preços dos alimentos, as tensões comerciais e os custos de produção estão entre os fatores de desgaste econômico enfrentados pelo setor rural durante o governo Trump.
Nesse ambiente, a ampliação das importações aparece como uma alternativa para reforçar o abastecimento e conter a pressão sobre os preços. Para o Brasil, a oportunidade está em consolidar uma posição de fornecedor complementar, com capacidade de atender às necessidades da indústria local.
Governo brasileiro defende previsibilidade
A participação da indústria brasileira na conferência também foi acompanhada pelo governo. Em missão oficial ao Arizona, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Augusto Billi, apresentou as perspectivas brasileiras para o abastecimento do mercado americano e defendeu maior previsibilidade nas relações comerciais entre os dois países.
Segundo o Ministério, a posição brasileira está concentrada em três frentes: maior previsibilidade nas condições de acesso ao mercado, aprofundamento do diálogo regulatório entre o ministério e o USDA e intercâmbio de informações entre importadores, exportadores e entidades representativas dos dois países.
O governo também defende a ampliação da cooperação técnica e da interlocução entre os setores público e privado. A avaliação é que a estabilidade das relações comerciais é fundamental para o planejamento das empresas e para a eficiência das cadeias de abastecimento.
Fonte: CNN Brasil






