Popularmente associada apenas à fabricação de roupas e tecidos, a cultura do algodão desempenha um papel econômico muito mais abrangente e estratégico no estado de Mato Grosso, movimentando diferentes setores produtivos além da indústria têxtil tradicional.
Salto na produção e área cultivada
Conforme levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o volume colhido saltou de 1,99 milhão de toneladas de algodão em caroço na safra 2007/08, cultivado em 530 mil hectares, para um patamar recorde de 7,32 milhões de toneladas no ciclo 2024/25, o que representa uma expansão impressionante de 267,3%.
A área dedicada ao plantio também acompanhou esse ritmo acelerado de crescimento, atingindo 1,55 milhão de hectares, alta de 192,9% na mesma comparação.
Avanço histórico na produtividade
O rendimento médio por hectare apresentou evolução expressiva ao longo dos anos, passando de 251,27 arrobas na temporada 2007/08 para 330,25 arrobas por hectare, registrando uma melhoria de 31,4% e consolidando o maior índice da série histórica do instituto.
De acordo com a analista de algodão do instituto, Cíntia Teixeira, a cultura alcançou um novo patamar a partir da safra 2018/19, quando a produção passou a superar de forma consistente 4,5 milhões de toneladas e a área ultrapassou 1 milhão de hectares.
Aproveitamento integral da planta
Embora a pluma permaneça como o principal destino comercial para o setor têxtil, o beneficiamento da planta gera diversos subprodutos agrícolas que encontram aplicações na fabricação de óleo vegetal, ração animal, biocombustíveis e insumos farmacêuticos.
O caroço é transformado em óleo, farelo e torta, servindo tanto para a nutrição de bovinos quanto para matriz energética, enquanto a casca atua como fonte de fibra na alimentação do gado.
Já o línter, composto por fibras curtíssimas remanescentes no caroço, viabiliza a confecção de papel-moeda, materiais de celulose, filtros e itens medicinais, ao passo que as demais fibras curtas são empregadas em feltros, tapetes, mantas, sacarias e soluções de isolamento térmico e acústico.
Cenário atual e perspectivas futuras
Após o pico histórico registrado no ciclo 2024/25, as estatísticas mais recentes indicam uma estabilização nos volumes colhidos, com a safra 2025/26 fechada em 6,81 milhões de toneladas e a projeção para 2026/27 estipulada em 6,65 milhões de toneladas.
Apesar da leve retração em relação ao recorde, os patamares atuais continuam figurando entre os maiores da história recente levantada pelo órgão estadual.
Essa trajetória consolida a cotonicultura mato-grossense não apenas como um pilar de exportação têxtil, mas como um motor diversificado de desenvolvimento tecnológico, industrial e econômico dentro e fora das porteiras.
Fonte: Portal PaNoRaMa






