O conselho de administração da Raízen deu sinal verde para uma série de ações estratégicas voltadas à implementação do seu plano de recuperação extrajudicial, que visa reorganizar aproximadamente R$ 61,4 bilhões em obrigações financeiras. Tais deliberações serão avaliadas pelos investidores durante uma Assembleia Geral Extraordinária e uma reunião especial de acionistas preferencialistas agendadas para o próximo dia 30 de outubro.
Homologação judicial e adesão dos credores
A estratégia de saneamento financeiro recebeu validação oficial do Poder Judiciário de São Paulo em 30 de julho. No período da aprovação, a corporação destacou que 81,6% dos credores financeiros quirografários endossaram o pacto, que transcorreu sem nenhuma contestação formal por parte dos credores do grupo.
Mudanças na estrutura de capital e governança
O pacote avalizado pela alta gestão compreende alterações profundas na governança e na composição corporativa da Raízen. Entre os pontos centrais estão a chance de encolher o capital social em um montante que pode chegar a R$ 35 bilhões, a ampliação do teto de capital autorizado para alcançar até 200 bilhões de papéis, a instituição de uma nova categoria de ações preferenciais e a implementação de um programa de units.
Passivo bilionário e injeção de recursos
A iniciativa de recuperação extrajudicial emergiu em um cenário de passivo bruto avaliado em R$ 71,9 bilhões, englobando derivativos para o biênio 2025/2026. Desse montante total, R$ 65,7 bilhões integraram o escopo do processo de reestruturação.
O planejamento validado judicialmente estabelece o manejo dos créditos envolvidos por meio da conversão de débitos em fatias acionárias e da emissão de novos papéis de crédito. Além disso, está programada uma capitalização entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões, contando com a participação da Shell e a perspectiva de injeção de capital pela Aguassanta Participações, holding associada à família de Rubens Ometto.
A multinacional Shell firmou compromisso para injetar R$ 3,5 bilhões. O arranjo desenhado abrange ainda a reestruturação das atividades da empresa, o que engloba a divisão entre os segmentos de comercialização de combustíveis e de geração de energia.
A companhia declarou que as deliberações endossadas pelo conselho consistem em fases fundamentais para consolidar o equilíbrio financeiro e a governança, visando assegurar a perenidade das operações. Os papéis informativos contendo todos os desdobramentos e exigências regulatórias serão divulgados junto aos editais de convocação das assembleias.
Fonte: CNN Brasil






