Preço da soja no Brasil despenca e acumula baixa de 3,65% em outubro

Soja brasileira registra queda de 1,53% em um único dia

O mercado brasileiro de soja registrou sua quarta queda consecutiva nesta terça-feira (06), acumulando um recuo de 3,65% desde o primeiro dia de outubro no Porto de Paranaguá (PR), principal referência nacional para a commodity. A maior baixa do período ocorreu justamente nesta terça, quando o percentual negativo atingiu 1,53% e a saca passou a ser cotada a R$ 155,67, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Contraste com o mercado internacional

O movimento de baixa no Brasil ocorreu na contramão da Bolsa de Chicago, onde a cotação do grão avançou 1,7% no mesmo dia. A alta no exterior foi impulsionada por um relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) que indicou um ritmo de colheita da safra norte-americana bem abaixo da média dos últimos cinco anos. No entanto, a alta externa não foi suficiente para blindar o mercado interno.

O peso do câmbio e dos prêmios

A desvalorização da oleaginosa começou antes do primeiro turno das eleições e ganhou força com a queda recente da moeda norte-americana e o ritmo lento dos negócios internos. De acordo com a analista de mercado da Biond Agro, Yedda Monteiro, a formação de preço da soja no Brasil depende de três pilares fundamentais: a Bolsa de Chicago, o prêmio de exportação e o câmbio.

Com a forte retração do dólar após o primeiro turno, a conversão do preço internacional para a moeda brasileira perdeu força. “A soja é uma commodity que é precificada internacionalmente e em dólar”, explica a analista. Apesar de os prêmios de exportação terem se mantido firmes no país, “uma parcela importante dessa valorização deixa de chegar no prêmio em reais por conta do dólar mais baixo, menos valorizado aqui internamente”, complementa.

A analista destaca ainda o impacto direto no retorno financeiro do produtor rural: “Quando a gente olha apenas o preço da soja em Chicago, podemos ter a impressão de que o mercado brasileiro deveria estar mais até firme. Mas o produtor vende em reais, e com isso, quando um câmbio recua dessa maneira, 4% em uma sessão, também acaba sendo pressionado”. Como reflexo desse cenário de incerteza, o volume negociado no início da semana foi estimado entre 50 mil e 100 mil toneladas, evidenciando a cautela de vendedores e compradores.

Impacto na próxima safra e compra de insumos

Apesar da retração na receita imediata da safra atual, a queda da moeda americana traz um ponto positivo para o planejamento estratégico dos agricultores. O dólar mais baixo barateia a aquisição de insumos dolarizados, como fertilizantes e defensivos agrícolas.

“Se o produtor ainda tem uma necessidade de compras, de garantia de insumos, de garantia de fertilizantes, essa é uma boa hora para garantir, diante do dólar mais baixo”, recomenda a especialista da Biond Agro.

Para o futuro próximo, contudo, a recomendação para o setor é de cautela e monitoramento constante. O comportamento do câmbio continuará ditando o ritmo do mercado, influenciado fortemente pelo cenário político e pelas discussões em torno da política fiscal brasileira. “Enquanto Chicago e prêmios não apresentarem movimentos robustos de alta a valorização do real deverá continuar limitando uma recuperação expressiva dos preços da soja no mercado doméstico”, conclui Yedda.

Fonte: CNN Brasil

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