O pioneirismo científico em regiões tropicais transformou o agronegócio brasileiro em uma potência global, mas o setor agora enfrenta a urgência de uma nova transição tecnológica. Diante de desafios que vão do estresse hídrico à dependência de insumos externos, os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam caminhos distintos para a pesquisa e o desenvolvimento rural.
Lula prioriza Embrapa, edição genética e resiliência climática
A candidatura de Lula estrutura suas diretrizes para o setor a partir do revigoramento institucional da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). O objetivo declarado é sustentar a vanguarda do país na agricultura tropical por meio de aportes em biotecnologia, edição genômica e geração de cultivares mais tolerantes a secas severas e ataques de pragas. Contudo, o documento não fixa metas quantitativas para novas variedades, cronogramas de entrega ou previsão orçamentária para a estatal.
No âmbito do manejo sustentável, o petista sugere a criação de um plano nacional focado em adaptação climática. O projeto prevê a ampliação da irrigação, o reforço do plantio direto e a consolidação do sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). A proposta inclui ainda o avanço da agricultura de precisão — uso de sensores, dados e maquinário inteligente para dosar água e defensivos — e o aprimoramento de alertas meteorológicos, embora não especifique a área a ser contemplada ou os recursos disponíveis.
Para atenuar a vulnerabilidade aos adubos importados, o programa petista estimula a fabricação interna de bioinsumos, associando a medida ao fortalecimento da agricultura familiar, mas sem definir volumes de substituição gradual dos adubos químicos.
Flávio Bolsonaro aposta em bioeconomia e minerais locais
A plataforma de Flávio Bolsonaro insere a inovação como motor de produtividade em um capítulo abrangente dedicado à tecnologia. A estratégia propõe atrelar preservação ambiental a ganhos financeiros por intermédio de assistência técnica, capacitação, crédito e expansão da bioeconomia, com ênfase no aproveitamento da biodiversidade para setores como biotecnologia, fármacos e cosméticos.
Apesar de defender a ciência como instrumento de expansão econômica, o plano não detalha programas específicos voltados ao campo. O texto não faz menções explícitas à Embrapa, ao melhoramento genético vegetal ou a aportes em edição de genomas, tampouco estipula linhas de financiamento ou metas de desempenho para a pesquisa agropecuária.
No combate à dependência de insumos externos, a candidatura do PL preconiza o incentivo à extração de potássio e fosfato em território nacional. A diretriz, contudo, não descreve investimentos científicos voltados à eficiência agronômica ou ao aprimoramento tecnológico dos fertilizantes minerais.
Reivindicações de pesquisadores e produtores rurais
Em meio às formulações eleitorais, as entidades ligadas à produção e à ciência cobram previsibilidade orçamentária contínua. Em documento entregue aos candidatos, a Embrapa listou seis eixos prioritários para os próximos anos, destacando a transformação digital, o manejo de riscos climáticos, a transição para bioinsumos e a preservação do orçamento de pesquisa.
Na mesma linha, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mantém a ciência, a educação e a tecnologia entre as bases de sua atuação legislativa. A entidade defende historicamente a consolidação de uma política de Estado perene para o Agro 4.0, que garanta segurança no uso de dados, incentivo à edição gênica e eficiência no consumo de água e insumos, independentemente das trocas de comando no governo federal.
Fonte: CNN Brasil






