O Brasil conseguiu reverter, em apenas 19 dias, todas as restrições comerciais de abrangência nacional impostas após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de Santa Catarina. A retomada foi concluída nesta sexta-feira (6), com a decisão do Uruguai de reconhecer a regionalização sanitária e liberar novamente as importações de produtos avícolas provenientes dos demais estados brasileiros.

O resultado representa um avanço para o agronegócio nacional e para a manutenção da competitividade da avicultura brasileira no mercado internacional. Em Mato Grosso, estado com forte participação na produção agropecuária, a preservação dos mercados externos é especialmente relevante para a cadeia produtiva e para o setor exportador.

Com a decisão uruguaia, nenhum parceiro comercial mantém restrições às importações de produtos avícolas provenientes de todo o território nacional. As limitações internacionais ficaram concentradas em Santa Catarina, onde foi registrado o foco da doença.

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou a rapidez da resposta brasileira. Em 2024, após a confirmação de um caso de Newcastle no Rio Grande do Sul, o país precisou de 74 dias para reverter as restrições nacionais. Desta vez, o processo foi concluído em 19 dias.

Impacto nas exportações fica limitado a 3%

Com a regionalização das restrições, o impacto estimado sobre as exportações brasileiras de produtos avícolas passou a corresponder a aproximadamente 15 mil toneladas mensais, o equivalente a 3% da média exportada pelo país, de cerca de 500 mil toneladas por mês.

A medida permite preservar o comércio internacional dos produtos provenientes das demais unidades da Federação, evitando que uma ocorrência sanitária localizada comprometa toda a cadeia exportadora brasileira.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais, Augusto Billi, ressaltou que o reconhecimento da regionalização demonstra a confiança dos parceiros comerciais no sistema brasileiro de defesa agropecuária.

Segundo ele, a articulação técnica e o compartilhamento de informações sobre a situação epidemiológica permitiram avaliações de risco mais rápidas e decisões proporcionais à ocorrência.

Brasil reverte restrições quase quatro vezes mais rápido

A comparação com o episódio registrado em 2024 evidencia a evolução das negociações sanitárias brasileiras.

Naquele ano, um foco da doença de Newcastle foi confirmado em uma granja comercial no Rio Grande do Sul, em 18 de julho. As restrições comerciais de abrangência nacional foram completamente revertidas em 30 de setembro, após 74 dias.

Na ocorrência mais recente, registrada em 18 de outubro de 2026, em uma granja comercial de perus no município de Nova Itaberaba (SC), o Brasil conseguiu recuperar o acesso aos mercados internacionais sem restrições nacionais em apenas 19 dias.

Um dos exemplos foi a China, que revisou sua decisão em menos de 24 horas.

Restrições continuam em quatro municípios catarinenses

Apesar da retomada do comércio com os demais estados brasileiros, o Ministério da Agricultura e Pecuária mantém medidas de controle na área relacionada à ocorrência sanitária.

A exportação de produtos provenientes da região de restrição não está autorizada. A área compreende os municípios catarinenses de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

Atualmente, onze países ainda mantêm restrições às importações de produtos avícolas provenientes de Santa Catarina.

O governo brasileiro pretende avançar nas negociações para que essas medidas também sejam delimitadas à área efetivamente afetada, seguindo os princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

Consumo de carne de frango continua seguro

O resultado foi alcançado por meio da atuação conjunta da Secretaria de Defesa Agropecuária, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, ambas vinculadas ao Ministério da Agricultura, e do Ministério das Relações Exteriores.

As equipes técnicas realizaram investigações epidemiológicas, ações de contenção, vigilância sanitária e compartilhamento de informações com autoridades internacionais.

O Ministério da Agricultura reforça que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro e não apresenta contraindicações para a população.

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