O impacto do El Niño no agronegócio ultrapassa as fronteiras brasileiras e já preocupa produtores, associações rurais e exportadores na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. O fenômeno climático traz consequências variadas, que vão desde a recuperação de lavouras castigadas por estiagens até danos severos provocados por temporais e riscos operacionais nas lavouras.
Situação na Argentina e no Paraguai
Os estágios dos efeitos variam em cada território. Na Argentina, as precipitações registradas desde o início de outubro ajudaram a repor a umidade do solo em regiões estratégicas para a cultura do trigo, além de prepararem o terreno para o plantio de soja e milho. Por outro lado, o Paraguai enfrenta prejuízos pontuais com tempestades e quedas de granizo que atingiram lavouras e estruturas agrícolas.
Em 5 de outubro, o jornal Última Hora noticiou danos causados por temporais e granizo em cultivos de frutas, hortaliças e soja, além de estruturas de produção protegida. Os problemas foram relatados em áreas dos departamentos de Caaguazú, San Pedro e Alto Paraná.
A UGP (União de Grêmios da Produção) informou que os ventos fortes e o granizo atingiram propriedades agrícolas. Em Caaguazú, produtores relataram danos à soja. A entidade não apresentou, naquele momento, uma estimativa nacional consolidada das perdas.
Orientações oficiais e impacto na pecuária
Para mitigar os riscos, o Ministério da Agricultura e Pecuária do Paraguai publicou em 8 de outubro orientações para que produtores e técnicos acompanhem os boletins meteorológicos e adaptem as operações às condições de cada região. Entre as medidas recomendadas estão desobstruir canais de drenagem, monitorar doenças favorecidas pela umidade e planejar aplicações fitossanitárias conforme a previsão do tempo.
O diretor-executivo da Capeco (Câmara Paraguaia de Exportadores e Comercializadores de Cereais e Oleaginosas), Hugo Pastore, destacou em nota que as chuvas podem beneficiar a produção, mas eventuais excessos também ameaçam a logística rodoviária e portuária.
A própria Capeco apresentou, em 29 de setembro, uma avaliação do cenário climático para a área agrícola paraguaia e a região. O assessor agroclimático Eduardo Sierra afirmou que os prognósticos apontavam para um episódio forte de El Niño, mas não necessariamente para precipitações fora de todos os padrões históricos. Segundo a análise divulgada pela entidade, o balanço produtivo durante episódios do fenômeno tende, em geral, a ser positivo, embora o aumento da umidade possa ampliar a pressão de doenças e os problemas causados por excesso de água.
Na pecuária, a ARP (Associação Rural do Paraguai) afirma que a maior oferta hídrica pode ampliar o crescimento das pastagens e da forragem, reduzindo o risco de déficit de água em períodos críticos. Por outro lado, o excesso de umidade pode aumentar problemas sanitários e reduzir áreas de pastagem em zonas sujeitas a inundações.
Previsões e cuidados no Uruguai
No Uruguai, as projeções do Inumet (Instituto Uruguaio de Meteorologia) indicam chuvas acima da média para a primavera e o início do verão, exigindo preparação redobrada do setor produtivo para evitar perdas na agricultura e na pecuária.
O INIA (Instituto Nacional de Pesquisa Agropecuária do Uruguai) preparou um relatório específico para orientar o setor diante do El Niño. As recomendações variam de acordo com o sistema produtivo e a região, porque o mesmo volume de chuva pode ser benéfico em uma área e prejudicial em outra.
Enquanto o setor pecuário tende a se beneficiar com o vigor das pastagens, as lavouras enfrentam ameaças ligadas à dificuldade de tráfego de máquinas e ao aumento de doenças fúngicas. O monitoramento constante e o manejo adequado da água tornam-se ferramentas indispensáveis para atravessar o período chuvoso na região.
Fonte: CNN Brasil






