O agronegócio brasileiro ampliou sua presença no mercado internacional de hortifrutis nos últimos anos. De um grupo de nove culturas monitoradas entre 2016 e 2024, sete conseguiram expandir sua participação nas vendas mundiais, tendo mamão, melão e manga consolidados nas primeiras colocações do ranking de Vantagem Comparativa Revelada (VCR).
O salto do abacate e o avanço de outras culturas
O levantamento elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) aponta que o grande destaque do período recente foi o abacate. Alavancada principalmente pela aceitação da variedade Hass, a receita gerada pelos embarques do produto saltou de US$ 6,8 milhões em 2016 para expressivos US$ 36,2 milhões em 2024, em valores correntes.
Além do trio de ponta e do próprio abacate, outros itens agrícolas registraram ganhos consistentes de mercado lá fora: limões e limas, melancia e uva. O cálculo do índice de VCR confronta a fatia que cada fruta representa no total exportado pelo Brasil com a relevância comercial desse mesmo produto no cenário global, medindo o grau de especialização do país.
Estratégias que sustentam a competitividade no exterior
O ganho de espaço dessas lavouras não ocorreu por acaso. De acordo com os pesquisadores responsáveis pelo levantamento, a expansão está ancorada em três pilares determinantes:
- Calendário estratégico: colheitas programadas para atender o mercado externo em períodos de baixa oferta dos concorrentes globais;
- Aprimoramento de cultivares: adoção de variedades modernas, alinhadas aos padrões de consumo e exigências dos compradores estrangeiros;
- Operações logísticas: garantia de regularidade nos embarques e preservação do padrão de qualidade até o desembarque nos portos de destino.
Banana e maçã priorizam o consumo doméstico
Em sentido oposto, banana e maçã apresentaram retração no indicador de especialização exportadora ao longo do período analisado. Esse comportamento decorre da elevada demanda interna brasileira, que absorve quase a totalidade do que é colhido nos pomares nacionais.
Adicionalmente, as tentativas de avanço dessas duas frutas em outros países esbarram na forte atuação de grandes polos produtores mundiais, além dos custos elevados de frete e de dificuldades operacionais de transporte.
Desafios futuros para a fruticultura nacional
Mesmo nas culturas em franca ascensão, como o abacate, ainda há gargalos relevantes a serem superados para manter o ritmo de crescimento, especialmente ligados à escala de fornecimento, produtividade por hectare e controle da cadeia de frio no pós-colheita.
Para assegurar a rentabilidade do produtor rural e consolidar o protagonismo externo a longo prazo, os especialistas destacam que o setor precisa investir na redução de perdas pós-colheita, na gestão rígida de despesas operacionais e na busca por novos parceiros comerciais fora do país.
Fonte: Rádio Itatiaia






