A união estratégica entre as nações produtoras sul-americanas é vista como um requisito fundamental para consolidar o continente como a maior potência energética e agroalimentar do planeta.
A força da integração sul-americana
Durante um evento promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) em São Paulo, o coordenador-geral do Grupo de Países Produtores do Sul (GPS) e ex-ministro da Agricultura da Argentina, Marcelo Regunaga, alertou durante entrevista ao Giro do Boi que a aliança entre brasileiros e argentinos é vital para superar as constantes mudanças na geopolítica internacional.
Para o especialista, o cenário global carece de diretrizes comerciais transparentes, fazendo com que a desunião regional abra espaço para que nações compradoras estabeleçam suas próprias condições. Em contrapartida, a articulação conjunta envolvendo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai consolida a soberania do bloco no fornecimento global de alimentos, amparada por alta tecnologia no campo, potencial para bioenergia, abundância de minerais críticos e estabilidade geopolítica sem guerras.
O poder de alimentar o planeta
Sobre a importância estratégica do bloco, Marcelo Regunaga destacou:
“Nós pensamos que esta posição que temos é muito importante para cooperar e nos integrarmos na nossa agenda. A nossa região está chamada a tomar uma posição de liderança no mundo porque somos uma região de paz, sem conflitos bélicos e sem problemas logísticos, pois podemos chegar ao Atlântico e ao Pacífico. O mundo hoje vive um grande caos. As regras são impostas por quem tem mais poder, mas nós temos um grande poder: o poder de alimentar o mundo.”
Riscos da desunião comercial
O dirigente também ressaltou a necessidade de evitar divisões para manter a relevância econômica internacional:
“Se estivermos fragmentados, outros vão definir as regras por nós. Antes, o mundo se definia em função da competição de preços; depois, veio a importância da segurança alimentar. Mas, no futuro, as regras do jogo do comércio serão fundamentais, e é aí que temos que trabalhar juntos. O importante é evitar a fragmentação. A palavra-chave é cooperação.”
Lições da agricultura brasileira
Ao analisar o progresso do campo no Brasil, Regunaga elogiou o papel de instituições de pesquisa e a consistência nas diretrizes governamentais de longo prazo, afirmando que os produtores argentinos têm exemplos a seguir na busca por estabilidade:
“Nós temos muito a aprender com o Brasil. A Embrapa transformou a agricultura. Há 25 anos, o rendimento da soja na Argentina era 15% a 20% maior que no Brasil. Hoje, o rendimento brasileiro — que ainda faz duas ou três safras no ano — é superior. Nós invejamos a política de Estado do Brasil, pois vocês definiram o agronegócio como um setor chave e mantiveram essa visão nos últimos 30 anos. A cooperação é o caminho.”
A sintonia de objetivos entre os dois gigantes sul-americanos dentro do Mercosul coloca a produção sustentável da América do Sul no centro das discussões globais, garantindo maior competitividade e agregação de valor às vendas externas da região.
Fonte: Giro do Boi - Canal Rural






