Após se consolidar como líder global no fornecimento de alimentos ao longo das últimas cinco décadas, o agronegócio nacional tem diante de si o desafio de dobrar de tamanho nos próximos 12 anos. Com a integração de suas diversas cadeias produtivas, a meta é ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão e impulsionar de maneira decisiva o Produto Interno Bruto (PIB) do país.
As diretrizes de Rattan Lal para o campo brasileiro
Ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2007, o cientista Rattan Lal delineou três pontos essenciais para o futuro da produção agropecuária brasileira. O primeiro deles é o reconhecimento histórico da transformação vivida pelo setor desde a década de 1970, tornando o país uma referência na exportação global de alimentos.
O segundo aspecto envolve o avanço da sustentabilidade, com foco em produzir mais com menos recursos naturais, racionalizando o uso de água e preservando o meio ambiente. Por fim, Lal enfatiza a necessidade de atender aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, priorizando o combate à fome e à pobreza, a ação climática, a justiça social e o fortalecimento do mercado de crédito de carbono, que remunera produtores por serviços ambientais.
Diante desse cenário, o especialista resumiu o peso do protagonismo nacional: “Se o Brasil liderar, o mundo o seguirá”.
Superação de divisões e união público-privada
Para alcançar esse patamar de crescimento, torna-se urgente afastar polarizações ideológicas e conflitos destrutivos. O avanço estratégico do setor exige velocidade e cooperação mútua entre o poder público e a iniciativa privada, construindo um plano de Estado que contemple desde a agricultura familiar e o cooperativismo até as grandes indústrias e a alta tecnologia aplicada no campo.
Nesse ecossistema, a proteína animal atua como um motor de expansão nas trocas internacionais, somando-se à força dos biocombustíveis e do biogás. A integração energética entre biomassas de milho e cana-de-açúcar amplia as possibilidades de inovação e consolida o país como um dos principais vetores da transição sustentável.
Identidade nacional e protagonismo mundial
Com uma formação populacional diversa e rica em biodiversidade, o país reúne atributos indispensáveis para guiar a governança climática e produtiva. Levantamentos sobre a percepção internacional da marca brasileira indicam que natureza, acolhimento, turismo e agronegócio formam a identidade que projeta o Brasil para além da produção de comida.
Reunindo competência técnica e responsabilidade socioambiental, a produção agrícola tem a oportunidade de consolidar o país como uma verdadeira potência pacífica, capaz de articular soluções globais para a segurança alimentar e a proteção dos recursos naturais da Terra.
Fonte: A TARDE






