Agronegócio cobra diálogo e define prioridades para o governo Lula

Lupion promete fiscalizar Lula; entidades do agro cobram diálogo

O cenário político nacional pós-eleitoral coloca o agronegócio brasileiro em uma posição de cobrança ativa e busca por diálogo institucional com o governo federal. Líderes do setor produtivo manifestaram suas expectativas e exigências após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Posição da Frente Parlamentar da Agropecuária

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que continuará fiscalizando o governo e defendendo as demandas do setor produtivo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em sua primeira manifestação depois do resultado eleitoral, o deputado cobrou respeito às preocupações de produtores e trabalhadores.

A declaração foi publicada nas redes sociais, depois de Lupion participar da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apoiado também pela bancada do agronegócio. “Foram semanas intensas, percorrendo o Brasil ao lado de Flávio Bolsonaro, ouvindo produtores, trabalhadores e famílias que acreditam em um País melhor”, escreveu o parlamentar, ao agradecer aos brasileiros que acompanharam a candidatura.

O dirigente ressaltou que “as preocupações de quem trabalha, produz e sustenta este País continuam presentes e precisam ser ouvidas e respeitadas”. A mensagem reforça a posição que Lupion pretende manter na próxima etapa da atuação parlamentar.

Ao abordar os próximos passos, Lupion declarou: “Seguirei firme, defendendo nossos valores, fiscalizando o governo e trabalhando por um Brasil com mais liberdade, segurança e prosperidade. Nosso compromisso com o Brasil e com os brasileiros permanece inabalável”.

Demandas da Faesp e da Aprosoja-MT

A Federação da Agricultura e Pecos da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) reafirmou nesta segunda-feira (26) seu compromisso com as instituições democráticas e o respeito ao resultado eleitoral. Em nota, a entidade presidida por Tirso Meirelles afirmou que o governo deve considerar também os eleitores que votaram pela mudança. “A democracia não é um evento que se encerra no dia da votação; é um processo vivo que exige cuidado, diálogo e aperfeiçoamento diário”, afirmou Meirelles.

A federação pediu simplificação tributária sem aumento de carga para o setor produtivo, condições para a redução sustentável dos juros, controle dos gastos públicos e segurança jurídica no campo. Para a Faesp, é necessário garantir “estabilidade das regras do jogo e previsibilidade jurídica”, além de um ambiente de negócios favorável à iniciativa privada.

Por sua vez, o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, afirmou que o resultado das urnas deve ser respeitado e que os interesses do país precisam prevalecer sobre as disputas políticas. “O resultado das urnas precisa ser respetiado. A democracia pressupõe que, encerrada a eleição, os interesses do Brasil estejam acima das disputas políticas”, escreveu em artigo publicado nesta segunda-feira (26).

Beber destacou que o aumento da produção e das exportações convive com dificuldades financeiras enfrentadas por agricultores. “Precisamos de uma solução estrutural para o endividamento rural, que vá além de simplesmente prorrogar vencimentos”, defendeu. Ele propôs reestruturação de dívidas, mecanismos de securitização, fundo garantidor de crédito e ampliação do seguro agrícola, além de juros mais baixos e segurança jurídica.

O dirigente também propôs maior integração entre agricultura, indústria e energia renovável, com investimentos em biocombustíveis, inclusive combustíveis sustentáveis de aviação. Na política externa, pediu relações pragmáticas com China e Estados Unidos. “O Brasil não pode transformar suas relações econômicas em disputas ideológicas”, afirmou.

Inovação e planejamento de longo prazo

Em nota publicada no domingo (25), a CropLife Brasil cumprimentou Luiz Inácio Lula da Silva pela reeleição e reafirmou sua disposição para o diálogo institucional. A entidade defendeu uma agenda de desenvolvimento sustentável, inovação tecnológica e fortalecimento da competitividade da agricultura brasileira. “A continuidade dessa trajetória depende de um ambiente que estimule novos investimentos, amplie o acesso dos produtores às tecnologias”, afirmou na nota.

A associação, que representa 53 empresas de sementes e mudas, biotecnologia, defensivos químicos e bioinsumos, apontou como prioridades a segurança jurídica, a modernização da infraestrutura e o aperfeiçoamento dos marcos regulatórios com base em “critérios científicos, transparência e estabilidade normativa”. A CropLife também se colocou à disposição do governo e do Congresso para contribuir tecnicamente com essas pautas.

Em sintonia com as demais instituições, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) cumprimentou o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu a pacificação do país e a construção de consensos sobre prioridades nacionais. Em nota, a entidade destacou a necessidade de uma liderança capaz de “construir pontes entre diferentes setores da sociedade” e promover o diálogo, além de avançar nas reformas estruturais, na credibilidade das instituições e na eficiência do Estado.

A associação também cobrou planejamento de longo prazo e previsibilidade para investimentos em infraestrutura, logística, financiamento e seguros. Segundo a nota, a Agenda Estratégica da Agroindústria Brasileira reúne propostas para orientar uma “agenda de Estado, com visão de longo prazo e compromissos que transcendam governos e ciclos eleitorais”. A Abag reafirmou sua disposição de colaborar com Lula e sua equipe na formulação de políticas para fortalecer a competitividade e a geração de oportunidades.

Fonte: Times Brasil | CNBC

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