247 – As dez maiores empresas do agronegócio brasileiro somaram R$ 1,2 trilhão em receitas líquidas em 2025, crescimento de 11% em relação à edição anterior do ranking Agro100, elaborado pela Forbes Brasil. O levantamento mostra a dimensão financeira das principais companhias do setor, com forte participação de frigoríficos, comercializadoras de grãos e indústrias de alimentos.
O faturamento das 100 empresas classificadas chegou a R$ 2,1 trilhões, avanço de 13,5% na comparação com o levantamento anterior. As dez primeiras colocadas responderam por aproximadamente 59% desse montante, evidenciando a concentração das receitas entre os maiores grupos empresariais do agronegócio.
Os números representam receitas das companhias, e não seus lucros. Também não correspondem diretamente à participação do agronegócio no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, uma vez que podem incluir operações internacionais e transações realizadas entre empresas de uma mesma cadeia produtiva.
A liderança ficou com a JBS, que registrou receita líquida de R$ 480,58 bilhões. O resultado representa quase 39% do faturamento conjunto das dez maiores empresas.
A MBRF ocupou a segunda posição, com R$ 163,96 bilhões, enquanto a Cargill Alimentos ficou em terceiro lugar, com R$ 115,29 bilhões. Somadas, as três companhias concentraram aproximadamente 61% da receita das dez primeiras colocadas.
O grupo das maiores empresas é completado pela Ambev, com R$ 88,24 bilhões; Raízen Energia, com R$ 87,70 bilhões; Bunge Alimentos, com R$ 76,01 bilhões; Copersucar, com R$ 65,78 bilhões; Cofco International Brasil, com R$ 61,63 bilhões; Minerva, com R$ 54,83 bilhões; e Suzano, com R$ 50,12 bilhões.
Tradings lideram crescimento das receitas
O avanço das grandes empresas não ocorreu de maneira uniforme entre as atividades econômicas do agronegócio. Entre os sete segmentos analisados pela Forbes Brasil, seis apresentaram crescimento de faturamento acima da inflação de 2025, que ficou em 4,26%.
As empresas de comercialização agrícola, conhecidas como tradings, registraram o maior crescimento, com expansão de 23%. Essas companhias atuam na compra de produtos diretamente dos agricultores, na organização do armazenamento e do transporte e na negociação de grandes volumes de commodities com compradores brasileiros e estrangeiros.
A expansão dessas empresas ocorreu em um período de aumento expressivo da produção agrícola nacional. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra brasileira de grãos 2024/25 atingiu 350 milhões de toneladas, volume 16% superior ao da temporada anterior.
A soja respondeu por 171 milhões de toneladas, enquanto a produção de milho alcançou aproximadamente 139 milhões de toneladas. O aumento da oferta ampliou a movimentação nas cadeias de comercialização, embora o faturamento das empresas também dependa das cotações internacionais, da variação cambial e dos volumes efetivamente negociados.
A indústria de proteína animal apresentou o segundo melhor desempenho entre os segmentos, com crescimento de 16% nas receitas. O resultado abrange frigoríficos e empresas de processamento de carnes que atendem tanto ao mercado interno quanto aos compradores internacionais.
Na agroenergia, que reúne companhias ligadas à produção de etanol e outros biocombustíveis, o faturamento avançou 13%. Já o segmento de alimentos e bebidas registrou crescimento de 7%.
Celulose enfrenta pressão dos preços internacionais
A indústria de celulose apresentou o desempenho mais fraco entre as sete atividades avaliadas. Foi o único segmento que não conseguiu registrar crescimento de receitas superior à inflação no período.
A pressão veio principalmente da desvalorização das cotações internacionais do produto. No início de 2025, o preço da celulose chegou a ficar abaixo de US$ 500 por tonelada, reduzindo a receita obtida pelas empresas com a comercialização.
Mesmo com esse cenário, a Suzano permaneceu entre as dez maiores companhias do agronegócio brasileiro, com faturamento de R$ 50,12 bilhões. A empresa é a maior produtora mundial de celulose de eucalipto.
O desempenho do segmento também evidencia a influência dos preços internacionais sobre os resultados empresariais. O aumento da produção ou dos volumes comercializados não garante, necessariamente, uma expansão proporcional das receitas quando as cotações das commodities recuam.
Agropecuária cresceu 12% em 2025
O resultado das grandes empresas foi acompanhado por uma expansão expressiva da atividade agropecuária brasileira. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o PIB da agropecuária cresceu 12% em 2025, enquanto a economia nacional avançou 2,3%.
O desempenho foi favorecido pelas safras recordes de soja e milho e pelos ganhos de produtividade no campo. O valor adicionado pela agropecuária alcançou R$ 775 bilhões, indicador que mede a riqueza efetivamente gerada pela atividade depois de descontados os insumos utilizados no processo produtivo.
Juros e fertilizantes pressionam os próximos ciclos
Apesar dos resultados positivos registrados em 2025, as perspectivas para as próximas safras incluem desafios relacionados ao custo de produção e às condições de financiamento.
Segundo projeções da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) citadas pela Forbes Brasil, os gastos com insumos agrícolas devem aumentar 9,8% na safra 2026/27. Para os fertilizantes, a previsão é de uma elevação de pelo menos 15%.
A dependência de fornecedores internacionais amplia a exposição dos produtores brasileiros às oscilações cambiais e às variações dos preços globais. Aproximadamente 80% dos fertilizantes utilizados nas lavouras do país são importados.
Uma pesquisa da consultoria McKinsey, realizada com 5.500 agricultores de dez países, também identificou uma redução na disposição dos produtores para ampliar investimentos. No Brasil, a intenção de investir recuou 25 pontos percentuais em comparação com o levantamento realizado em 2024.
Inteligência artificial chega a mais de 90% das empresas respondentes
A incorporação de tecnologias também aparece entre as estratégias das grandes companhias do agronegócio. Uma pesquisa complementar da Forbes Brasil com participantes do ranking Agro100 identificou que 92,7% das empresas respondentes já haviam investido em alguma aplicação de inteligência artificial.
As ferramentas são utilizadas em diferentes áreas, incluindo atividades administrativas, análise de dados e processos produtivos. Entre as aplicações estão o planejamento das operações empresariais e o acompanhamento das lavouras.
O percentual, entretanto, corresponde exclusivamente às empresas que participaram da pesquisa e não pode ser generalizado para todo o agronegócio brasileiro.
Os resultados mostram que a expansão das receitas das maiores companhias convive com pressões sobre os custos e o financiamento da produção, enquanto investimentos em tecnologia e eficiência passam a integrar as estratégias empresariais para enfrentar os desafios dos próximos ciclos.
Fonte: Brasil 247






