A iminência de um pico do fenômeno climático El Niño intensifica os temores em relação aos fortes contrastes de precipitações e estiagem em áreas estratégicas para o agronegócio nacional, projetando reflexos negativos nas lavouras até o primeiro semestre de 2027.
H2 Impacto nos grãos de inverno e na castanha H3 Queda expressiva na produtividade do Paraná No território paranaense, as precipitações excessivas afetaram diretamente o rendimento e a qualidade dos grãos de inverno. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral) apontam que a colheita total deve alcançar 2,84 milhões de toneladas, o que representa um recuo de 28% em comparação a 2025.
Para a cultura do trigo, a projeção indica 1,9 milhão de toneladas colhidas, queda de 34% motivada pela retração da área plantada e pela perda de qualidade que restringe o uso pela indústria de panificação. A cevada, aveia, centeio e o triticale também enfrentaram reduções significativas.
H3 Vulnerabilidade dos castanhais na Amazônia Na Região Norte, o intervalo de 12 a 18 meses entre a floração e a frutificação da castanha-da-Amazônia faz com que o clima atual comprometa colheitas futuras.
Segundo a pesquisadora Patrícia da Costa, da Embrapa Meio Ambiente, a safra que começa em novembro e segue até abril tem perspectiva relativamente favorable. Para os ciclos seguintes, porém, a possibilidade de recorrência de calor intenso e seca preocupa.
H2 Desafios na cana-de-açúcar e panorama do café H3 Atrasos e perdas no Centro-Sul Nas regiões produtoras do Centro-Sul, o volume elevado de chuvas atrasou a maturação da cana e a colheita, elevando os riscos para a fabricação de etanol e açúcar. O excesso de umidade prolongou o crescimento vegetativo e reduziu o acúmulo de açúcares totais recuperáveis (ATR).
Analistas estimam que cerca de 50 milhões de toneladas de cana possam permanecer no campo, o que pode comprometer o ciclo de 2027/28. No Nordeste, por outro lado, a estiagem desafia o setor, com estimativa de 55 milhões de toneladas colhidas.
H3 Umidade favorável para o café Em contraste, as lavouras cafeeiras do Sudeste e do Sul mantêm bons níveis de umidade no solo, impulsionadas por chuvas registradas no sul de Minas Gerais, São Paulo, cerrado mineiro e Espírito Santo, conforme boletins meteorológicos recentes.
H2 Perspectivas ambivalentes para a soja O cenário para a oleaginosa em 2026/27 divide opiniões no mercado. Um estudo da Serasa Experian indica que, caso o padrão de produtividade do El Niño 2023/24 se repita, a colheita poderá recuar 9,7% na comparação com um cenário de clima neutro, gerando uma perda potencial de R$ 33 bilhões.
Em contrapartida, a StoneX revisou para cima sua projeção, apostando em um recorde de 184,95 milhões de toneladas, sustentada pelo avanço do plantio e por condições climáticas favoráveis em Mato Grosso durante os estágios iniciais.
Fonte: Visão Agro






