Agricultura familiar do Brasil estreia no Sial Paris

Brasil leva cooperativas da agricultura familiar pela 1ª vez à SIAL Paris

Em um passo decisivo para ampliar o alcance de pequenos produtores no mercado global, dez cooperativas da agricultura familiar representam o Brasil de maneira inédita no Sial Paris (Salão Internacional da Alimentação). O encontro, que começa neste sábado (17) no centro de exposições Paris Nord Villepinte, reúne compradores de alimentos e bebidas de dezenas de países até o dia 21 de outubro.

Vitrine global e foco na sustentabilidade

A presença dos pequenos produtores com estandes exclusivos faz parte do programa Cooperar para Exportar, desenvolvido pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). O objetivo é capacitar e inserir esses produtores em canais internacionais, valorizando itens de valor agregado, sustentabilidade e identidade regional.

“Estamos levando para uma das principais vitrines mundiais de alimentos produtos que expressam a diversidade, a biodiversidade e a capacidade de produção das diferentes regiões do Brasil. É uma oportunidade para aproximar essas cooperativas de compradores internacionais, gerar negócios e mostrar que a agricultura familiar brasileira pode e deve ocupar espaços cada vez maiores no comércio global, com produtos de qualidade, origem, sustentabilidade e valor agregado”, afirma o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.

Delegação recorde e expectativas de negócios

A participação nacional desta edição é a maior de toda a história da feira francesa. Ao todo, 156 empresas compõem a comitiva brasileira, das quais 109 contam com a coordenação direta da ApexBrasil. O contingente nacional também inclui expositores articulados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

A estimativa é que o evento impulsione cerca de US$ 3,5 bilhões em transações imediatas e acordos futuros para os exportadores do país. O salão profissional projeta a circulação de aproximadamente 295 mil visitantes qualificados vindos de 194 países, cobrindo segmentos que vão de frutas e grãos a carnes, bebidas e processados.

Vento favorável com o acordo Mercosul-União Europeia

A realização do evento ocorre em uma conjuntura favorável para as negociações com os europeus. Desde maio de 2026, vigora provisoriamente o tratado entre o Mercosul e a União Europeia, mecanismo que reduz tarifas alfandegárias de forma progressiva e torna os gêneros alimentícios do Brasil mais competitivos.

Os reflexos do acordo já aparecem nas estatísticas oficiais do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços): entre maio e setembro de 2026, as vendas externas brasileiras para a União Europeia somaram US$ 27,2 bilhões, avanço de 30,6% frente ao intervalo equivalente de 2025.

Potencial de expansão no mercado francês

A França surge como um dos destinos centrais para a estratégia de diversificação comercial brasileira. Dados de 2025 apontam uma corrente bilateral de US$ 10,3 bilhões, dos quais US$ 3,1 bilhões corresponderam a compras francesas de produtos do Brasil.

Estudos da ApexBrasil catalogaram 407 oportunidades comerciais no território francês para a produção nacional. A feira se consolida como uma plataforma para viabilizar esses contratos, abrindo espaço para a entrada de cafés especiais, frutas frescas e alimentos processados de alto valor no continente europeu.

Fonte: CNN Brasil

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