Baixo investimento e avanço da dívida travam a economia do país

O Brasil à beira do abismo: investimento, tributação e competitividade

O cenário econômico nacional convive com um descompasso estrutural que ameaça o ritmo de desenvolvimento a longo prazo. Mesmo com a taxa de desemprego atingindo a mínima histórica de 5,6% no encerramento de 2025 e o Produto Interno Bruto (PIB) registrando altas de 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025, o país exibe sinais de enfraquecimento produtivo. No fim de 2025, a taxa de investimento nacional ficou em 16,8% do PIB e a poupança em 14,4%, momento em que o endividamento público bruto alcançou 82,9% em agosto de 2026. Diante desse quadro, o Brasil despencou sete posições no anuário de competitividade do International Institute for Management Development (IMD), ocupando o 65º lugar entre 70 nações analisadas.

A disputa por recursos entre Estado e iniciativa privada

A perda de tração reflete uma trajetória persistente de descapitalização. A formação bruta de capital fixo recuou dos cerca de 20% do PIB registrados em 2013 para os atuais 16,8%, patamar bastante distante dos 25% considerados adequados para garantir uma expansão consistente de 5% ao ano. Sob a ótica teórica de Ludwig von Mises em Ação Humana, a elevação real dos salários depende diretamente do volume de bens de capital acumulados por trabalhador, como maquinários e infraestrutura originados do adiamento do consumo presente. Sem essa expansão de capital, o trabalho deixa de se tornar progressivamente mais produtivo.

Nesse ecossistema, os juros deixaram de agir unicamente como o mecanismo que sincroniza a poupança da população aos planos de expansão das empresas, passando a suprir os custos do financiamento da máquina pública. Em doze meses acumulados até agosto de 2026, os encargos com juros do setor público totalizaram R$ 1,18 trilhão (cerca de 8,9% do PIB), enquanto o déficit nominal bateu 10% do produto em junho. Com a taxa Selic mantida em 13,75% e a taxa real próxima a 9%, o país amargou a lanterna mundial no quesito custo de capital do ranking IMD.

Ao captar a poupança disponível para sustentar despesas correntes, o Tesouro Nacional diminui os recursos que poderiam financiar pontes, plantas industriais e tecnologia privada. Projeções da Instituição Fiscal Independente (IFI) alertam que a dívida bruta poderá alcançar 115% do PIB em 2036 caso nenhuma correção de rota seja realizada, sufocando as inversões públicas diante da rigidez orçamentária.

Reforma tributária e as incertezas sobre alíquotas

No front fiscal, as diretrizes instituídas pela Emenda Constitucional 132/2023 e pela Lei Complementar 214/2025 desenharam um modelo moderno de IVA dual, não cumulativo e incidente sobre o destino, que passa por teste em 2026, implantação da CBS em 2027 e vigência isolada em 2033. Contudo, a definição das tarifas gera apreensão. Embora o texto legal tenha estipulado um limite de 26,5%, o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) já calcula uma alíquota-padrão de 27,91%, configurando uma das cobranças mais elevadas do planeta devido à profusão de regimes diferenciados concedidos a setores específicos.

Impactos sobre o pequeno negócio e fluxo de caixa

A nova mecânica pode pressionar severamente pequenas e médias empresas. A implementação do split payment, prevista pela Receita Federal para o segundo semestre de 2027, recolherá IBS e CBS de forma instantânea durante a transação financeira comercial. O modelo elimina o intervalo temporal que muitos negócios utilizavam como capital de giro informal, empurrando as empresas para opções de crédito bancário de alto custo. Além disso, segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), mais de 70% dos optantes do Simples Nacional fornecem mercadorias ou serviços a outras companhias, mas transferirão apenas créditos equivalentes à sua alíquota efetiva, o que eleva a complexidade competitiva.

O cenário sintetiza a seguinte constatação: “O Brasil não afunda por falta de boia. Afunda porque passou a remunerar melhor quem fica parado na margem do que quem se atreve a nadar.”

O abismo da produtividade e o modelo do agronegócio

O retrocesso nos indicadores gerais de competitividade ilustra a perda de eficiência. Em 2010, o país ocupava o 38º lugar geral do IMD, chegando à 65ª posição em 2026 e ficando em último lugar no critério de educação básica. O FGV Ibre aponta que o rendimento por trabalhador avançou meros 0,1% em 2024 e 0,4% em 2025. Na manufatura, a produtividade horária desabou cerca de 23% entre 1995 e 2024, derrubando a fatia do setor no PIB de 48% em 1985 para 24,7% em 2024. Com o esgotamento do bônus demográfico, a expansão econômica ancorada na adição de novos trabalhadores perde fôlego.

Pensadores como Friedrich Hayek e Mises ressaltavam que o planejamento empresarial depende de métricas de mercado previsíveis. No contexto nacional, o cálculo financeiro é prejudicado por frequentes oscilações normativas — entre 1988 e 2025, foram editadas em média 2,36 regras por hora útil. Por outro lado, o agronegócio contrasta com a média nacional: operando sob cotações globais e sinais de mercado desimpedidos, o segmento agropecuário registrou um salto de 13,2% em sua produtividade em 2025.

Equilíbrio fiscal como ponto de virada

Analistas ressaltam que o país não corre risco iminente de colapso externo clássico, dado que as reservas internacionais permanecem sólidas, a taxa cambial é flutuante e a maior parte dos passivos públicos é denominada em moeda doméstica. Ademais, correntes teóricas

Fonte: Minuto Rural

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