O presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou nesta terça-feira (27) que, passado o resultado das eleições para presidente, é preciso “virar a página” e continuar defendendo os interesses do setor nos próximos quatro anos.
Estratégia legislativa e oposição
Segundo o parlamentar, a bancada ruralista deve manter o comportamento de proatividade com o governo em pautas pró-agro, além de continuar crítica e de oposição a projetos que contrariem os interesses da FPA.
Lupion reforçou a necessidade de manter abertas as negociações com as pastas do Executivo ligadas ao setor, como os ministérios da Fazenda, da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Crescimento expressivo no Congresso
Apesar da derrota da FPA nas eleições presidenciais — nas quais apoiou Flávio Bolsonaro, membro da bancada —, a frente teve um aumento significativo em sua representação no Congresso Nacional. Levantamentos internos apontam que, com os resultados destas eleições, o número de deputados da bancada subiu de 300 para 330.
Já no Senado, segundo a FPA, a bancada deve contar com cerca de 49 membros ativos, dos quais 18 deixaram a Câmara para ocupar cadeiras na Casa Alta. No entanto, Lupion ponderou que esse quórum oscila a depender das votações e que outros parlamentares que não compõem a bancada, como Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Deltan Dallagnol (Novo-PR), alinham-se a alguns interesses da FPA, apesar de não estarem formalmente ligados ao grupo.
Na avaliação do deputado, o crescimento do grupo aumenta o poder de negociação da FPA com o Executivo para além das pautas estritamente ligadas ao agronegócio.
“Temos uma bancada fortalecida e, independentemente da composição, temos que ter diálogo com o governo; sempre fizemos isso e vamos continuar fazendo”, afirmou.
Eleições nas Mesas Diretoricas
Ainda no âmbito do Congresso Nacional, Lupion destacou que a FPA ainda não se reuniu para decidir sobre um eventual apoio às candidaturas à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) para a Câmara e o Senado, respectivamente.
O parlamentar destacou que a FPAvê com bons olhos a possibilidade de Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS) – vice-presidente da bancada ruralista–, dois nomes cotados para o comando da Casa Alta, assumirem a presidência do Senado.
Relação com o Ministério da Agricultura
O presidente da FPA afirmou nesta terça-feira (27) que a frente parlamentar não deve interferir ou indicar um nome para assumir o Mapa, principal pasta do Executivo ligada ao setor. Segundo o deputado federal, a decisão não cabe à frente, uma vez que a FPA apoiou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e conta com uma maioria de parlamentares que integram a oposição ao Executivo no Congresso Nacional.
“A gente precisa manter a coerência. Se não apoiamos quem venceu, não podemos indicar. O que podemos fazer, quando forem escolhidos, é tentar diálogo e convergência”, defendeu.
Por outro lado, Pedro Lupion — que era cotado para assumir a pasta em um eventual governo de Flávio Bolsonaro — fez acenos a Carlos Augustin, o “Têti”, ex-assessor especial do Mapa que estava presente na reunião da FPA nesta terça-feira (27), e a André de Paula, atual comandante da pasta. Na avaliação de Lupion, esses nomes garantiriam um bom diálogo com a bancada caso assumam a condução do ministério.
Fonte: CNN Brasil






