O setor agropecuário brasileiro mantém sua força e não atravessa um momento de crise estrutural, na avaliação do vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt.
Saúde financeira e patrimônio do produtor
Segundo o executivo, a grande maioria dos produtores rurais mantém suas obrigações em dia, superando a marca de 90% de adimplência. “O agro não está quebrado, não está em crise, está pujante”, afirmou em declaração recente à imprensa. Bittencourt reconheceu desafios pontuais de liquidez provocados pela queda nos preços das commodities em relação ao período pandêmico, mas ressaltou que o patrimônio e as terras no campo se valorizaram consideravelmente.
Indicadores de risco e carteira de crédito
Apesar do otimismo institucional, os balanços financeiros revelam um cenário de cautela. A inadimplência na carteira de agronegócio do Banco do Brasil atingiu um patamar recorde de 6,27% em julho de 2026. Como reflexo desse risco, o banco destinou R$ 43,6 bilhões em provisões para cobrir potenciais perdas em sua carteira de crédito rural, que alcança o montante de R$ 421,5 bilhões.
Comparação histórica com crises passadas
O representante do banco público pontuou que o cenário atual difere drasticamente de crises históricas, como as registradas nas décadas de 1980 e 1990. Naqueles períodos de recessão profunda, houve retração expressiva na área plantada e cortes drásticos nos investimentos. Atualmente, a produtividade segue em alta e as áreas de cultivo mantêm estabilidade ou crescimento, sustentadas por boas expectativas para as próximas safras.
Estratégias de renegociação de dívidas
Para mitigar os impactos do endividamento, a instituição financeira aposta nos benefícios da Medida Provisória 1.376/2026, que estipula prazos de até dez anos para a quitação de débitos gerados por quebras de safra ou volatilidade de mercado. “O ideal seria que esses produtores inadimplentes, ou quem está com uma operação prorrogada com vencimento mais curto, viesse buscar a renegociação, porque estaria pagando as primeiras parcelas de juros só daqui seis meses, em uma nova safra, com novos preços”, destacou o executivo.
Expectativas e exigências para o futuro
Embora o banco já tenha alcançado a marca de R$ 16 bilhões em dívidas sob análise para repactuação, a adesão efetiva dos produtores inadimplentes ficou aquém das projeções iniciais. Por exigência regulatória, operações em atraso demandam garantias robustas e provisões elevadas. A expectativa da diretoria é que a taxa de inadimplência comece a ceder no último trimestre de 2026, com queda mais consistente prevista para o decorrer de 2027.
Fonte: CompreRural






