O agronegócio brasileiro avança para além do fornecimento de commodities e estrutura uma nova fase no comércio internacional focada em tecnologias agrícolas sustentáveis. Com um ecossistema fortalecido por pesquisas e pelo manejo da agricultura tropical, o país intensifica a comercialização de bioinsumos voltados para a nutrição de solos, controle biológico de pragas e estímulo ao desenvolvimento vegetal.
“O objetivo é abrir mercados para os bioinsumos brasileiros, mas também posicionar o Brasil como um país que produz sua própria tecnologia para a agricultura tropical”, explicou Ana Repezza, presidente da CropLife Brasil, entidade que reúne 53 companhias do setor. A executiva reforça que consolidar essa reputação de inovador é “tão importante quanto gerar negócios e promover as exportações”.
Crescimento expressivo nos números do setor
As estatísticas confirmam o ritmo acelerado de expansão desse segmento. De acordo com a plataforma CropData, os embarques internacionais de bioinsumos atingiram US$ 68,5 milhões de janeiro a setembro, apontando uma alta de 31,1% na comparação com o mesmo período de 2025. O principal comprador foi a Argentina, acompanhada por Colômbia, Paraguai, Países Baixos e Estados Unidos.
No cenário doméstico, o faturamento alcançou US$ 358,5 milhões no primeiro semestre, o que representa um avanço de 9,6% frente a 2025. Paralelamente, o total de área cultivada com o apoio desses insumos biológicos subiu 18,3%, atingindo 46 milhões de hectares. No campo regulatório, foram concedidas 162 novas autorizações em 2025, fazendo o país chegar a 1.016 registros ativos em 2026.
Vantagem competitiva na agricultura tropical
A experiência acumulada nas lavouras nacionais é apontada como a base desse desempenho. O ambiente tropical impõe desafios complexos de pragas e intempéries, o que exigiu décadas de estudos integrados.
“São tecnologias necessárias para garantir os níveis de produtividade que temos na agricultura tropical. Então, o grande valor dos insumos está em sua complementariedade com outras tecnologias, elevando ainda mais a produtividade”, acrescentou Repezza.
Essa base científica reúne um histórico de 70 anos de pesquisas conduzidas pela Embrapa, complementadas por aportes da iniciativa privada. As soluções ganham relevância acrescida no cenário atual de eventos climáticos extremos. Sobre esse papel estratégico, Repezza afirmou que “(Os bioinsumos proporcionam) ganhos de produtividade fundamentais para garantir a segurança alimentar, não só no Brasil, mas no mundo”.
Abertura de novos destinos no exterior
Entre as regiões com maior potencial de absorção da tecnologia brasileira estão a África, diferentes nações da América Latina e faixas tropicais dos Estados Unidos. No continente europeu, oportunidades aparecem em países como Espanha, Portugal, Itália e Grécia, cujas condições produtivas e sazonais se assemelham às do Brasil.
Para acelerar a inserção nesses polos, a ApexBrasil em parceria com a CropLife estruturou em 2025 o programa Renera. A proposta foi desenhada para atuar como uma “ponte entre a ciência que já funciona no campo e os mercados que precisam dela”. O mecanismo promove missões comerciais, rodadas de negócios e atrai compradores internacionais para apresentar o padrão técnico das soluções nacionais.
“O Brasil deixa de ser apenas exportador de alimentos para se transformar também em exportador de tecnologia para produzi-los. E essa exportação tem um valor agregado ainda maior”, destacou Repezza, que já atuou como diretora de Negócios da ApexBrasil. A transição fortalece a imagem do país como fornecedor de soluções verdes perante consumidores cada vez mais rigorosos com critérios de sustentabilidade.
Fonte: Exame






