O volume de crédito rural alinhado a critérios de sustentabilidade sofreu uma retração nominal de R$ 3,6 bilhões no primeiro trimestre da safra 2026/27, totalizando R$ 17,5 bilhões. Apesar da baixa nos valores absolutos, a relevância dessas linhas dentro do financiamento verde subiu de 22,8% para 26,3% no montante total voltado a custeio e investimento. Os dados foram divulgados em um boletim da Agroicone com base em informações oficiais do Banco Central.
Distribuição dos recursos verdes
Do total de R$ 17,5 bilhões mapeados pela metodologia da consultoria como parte da jornada de sustentabilidade, R$ 12,4 bilhões foram direcionados ao custeio da produção agrícola e R$ 5,1 bilhões a investimentos. Na divisão setorial, a agricultura concentrou R$ 15,8 bilhões, enquanto a pecuária ficou com R$ 1,7 bilhão. Pela primeira vez na série histórica do levantamento, o Pronaf liderou as contratações de programas com foco sustentável, somando R$ 978,3 milhões — impulsionado principalmente pelo Pronaf Bioeconomia, responsável por R$ 925 milhões.
Em contrapartida, as operações do RenovAgro e de outros subprogramas voltados a produtores não familiares alcançaram R$ 974,8 milhões. Nesse grupo, a linha de Recuperação e Conversão liderou ao concentrar R$ 268,5 milhões. Enquanto o Pronaf registrou expansão nominal de R$ 129,1 milhões nas linhas sustentáveis, o segmento não familiar recuou R$ 725 milhões na mesma base de comparação.
Crise de liquidez e endividamento
A retração geral do agronegócio atingiu todas as frentes. As contratações totais de crédito rural despencaram 28,8%, alcançando R$ 80,7 bilhões. O cenário foi marcado pelo aumento do endividamento e pela restrição de liquidez, o que alterou a percepção de risco dos bancos e reduziu o número de operações de 562 mil para 717 mil na comparação anual. O saldo de operações problemáticas no sistema saltou expressivamente, passando de R$ 34,1 bilhões para R$ 188,8 bilhões entre julho de 2023 e abril de 2026.
Riscos para a transição ecológica
Para os especialistas responsáveis pelo estudo, a contração no financiamento acende um alerta sobre o futuro das práticas sustentáveis. A organização aponta que a escassez de recursos pode comprometer a capacidade do setor produtivo de investir em tecnologias que reduzam emissões e aumentem a adaptação climática.
“A transição para uma agropecuária de baixa emissão de carbono e resiliente às intempéries climáticas é intensiva em capital”, afirma Leila Harfuch, sócia da Agroicone e uma das autoras do boletim.
O levantamento reforça que a criação de mecanismos de mitigação de riscos, como o aprimoramento do seguro rural e soluções para reestruturação de dívidas, é fundamental para proteger os investimentos no campo e garantir a competitividade das cadeias produtivas brasileiras a longo prazo.
Fonte: CNN Brasil






