As eleições para os governos estaduais na Região Centro-Oeste levam às urnas o escândalo do Banco Master, a crise do Banco de Brasília (BRB), a herança política do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) e os interesses do agronegócio. O resultado dessa miscelânea favorece o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), com aliados que devem comandar Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, indica levantamento com base em pesquisas eleitorais.
Panorama nacional e cenário regional Assim como na Região Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tende a não eleger quem apoia. A diferença é que o partido lançou candidatos próprios em dois Estados e no Distrito Federal. De um lado, Mato Grosso do Sul tende a encerrar a disputa no 1º turno. Do outro, Mato Grosso apresenta um cenário em que os dois principais candidatos a governador apoiam Flávio e estão embolados em empate técnico.
As pesquisas foram compiladas de levantamentos recentes da Quaest, com questionários aplicados nas casas dos eleitores, além de dados do Datafolha para a região brasiliense.
Distrito Federal e a força do antipetismo A governadora Celina Leão (PP) deve se reeleger para chefiar o Palácio do Buriti, embalada pela aliança com a ex-primeira-dama e candidata à senadora Michelle Bolsonaro (PL-DF) e com votos herdados do antecessor, Ibaneis Rocha (MDB). A diferença reside na vantagem que a escolhida de Flávio deve abrir em relação ao ex-deputado distrital Leandro Grass (PT), base de Lula no Distrito Federal. Celina tem 39% das intenções de voto contra 23% de Grass em sondagem, enquanto outro instituto indica a governadora com 46% frente a 22% do ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
As projeções apontam que o escândalo do Banco Master e a crise do BRB não respingam na candidatura de Celina. A oposição, capitaneada por Grass, falha em conseguir mostrar a digital dela em ambos os casos. A proximidade com Michelle, o palanque de Flávio e o antipetismo, forte no eleitorado brasiliense, pesam mais para a escolha do voto. Os institutos traçaram cenários de 2º turno com ambos os candidatos, e Celina venceria Grass nas duas simulações com larga vantagem.
Goiás e o palanque de Caiado A disputa para o governo opõe o aliado e sucessor de Caiado ao adversário histórico do presidenciável. O governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), atingiu 42% das intenções de voto no 1º turno para a reeleição contra 19% do ex-governador e ex-senador Marconi Perillo (PSDB). O senador Wilder Morais (PL), que tem a bênção de Flávio, vem logo atrás, com 15%. Já o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) só tem 5% das intenções de voto, espremendo o palanque de Lula em Goiás. Nem a viagem do presidente ao Estado, nem a identidade visual da campanha colada à imagem dele ajudaram a fortalecer a candidatura.
Caiado e Vilela, vice do presidenciável quando comandava o Palácio das Esmeraldas, fazem campanha juntos por Goiás e nas redes sociais. A eles, junta-se a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União), que se lançou ao Senado após o marido trocar a candidatura à Casa pela disputa ao Palácio do Planalto. Apesar de Perillo declarar apoio a Flávio, o presidenciável só fez comício com Morais. O senador se autointitula o “governador do Bolsonaro”. Para o 2º turno, a projeção aponta vitória de Vilela contra os adversários com ampla margem.
Mato Grosso: empate técnico e força do agro O Mato Grosso vive uma disputa apertada entre o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o senador Wellington Fagundes (PL), ambos empatados dentro da margem de erro com 29% e 27%, respectivamente. Os 22% de votos nulos, em branco e de eleitores que não vão votar, mais os 6% de indecisos devem ajudar a definir a disputa. Estreante nas urnas, a patologista Doutora Natasha (PSD) desembarcou da campanha de Caiado e se tornou a candidata de Lula em Mato Grosso, mas os 11% das intenções de voto que conquistou não devem ameaçar as vagas dos dois cotados para o 2º turno.
Fagundes reforçou a campanha nesta reta final com a publicação de um vídeo no qual Flávio pede votos para os dois. Michelle e os senadores Sergio Moro (PL), candidato a governador no Paraná, e Marcos Pontes (PL) também aparecem nas imagens, declarando apoio à candidatura do governo estadual. O jingle do senador associa o número dele nas urnas ao que o ex-presidente Jair Bolsonaro usou em 2022. Apesar de Pivetta reforçar o espaço de Flávio em Mato Grosso, foi o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) quem o apoiou publicamente. O agronegócio, no qual fincou as bases do próprio palanque, pesa a favor da candidatura do empresário rural. Pivetta lidera em um provável 2º turno contra Fagundes.
Mato Grosso do Sul e o agronegócio O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), deve encerrar a campanha à reeleição no 1º turno, com ampla vantagem em relação ao ex-deputado federal Fábio Trad (PT), registrando 51% contra 12%. A disputa coloca os candidatos de Flávio e de Lula em lados opostos das urnas. Em comum, ambos representam o agronegócio — que, segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), representa 13% do eleitorado nacional.
Nenhum dos dois presidenciáveis visitou o Estado durante a campanha eleitoral até o momento. Riedel participou de uma “superlive” de 30 minutos com Flávio e a senadora Tereza Cristina (PP), que foi ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento durante o governo Bolsonaro. Já a candidatura de Trad, que veste as cores do PT e cola a própria imagem à de Lula, gerou uma cisão na família, dividindo irmãos entre diferentes correntes políticas e coligações locais.
Fonte: Estadão






