As emissões brutas de gases de efeito estufa da agropecuária brasileira ficaram praticamente estáveis em 2025, pelo segundo ano consecutivo.
O setor emitiu 626,3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (MtCO₂e) em comparação com as 626,7 milhões de toneladas em 2024, uma queda de apenas 0,07%.
Os dados são do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).
Recorde de abate reduz emissões da pecuária
A fermentação entérica, que contabiliza principalmente o metano liberado pelos bovinos durante a digestão, foi o principal fator por trás da redução das emissões da pecuária. Em 2025, as emissões desse processo somaram 396,8 MtCO₂e, queda de 1,8% em relação aos 404,1 milhões registrados em 2024.
No período, o Brasil abateu 42,94 milhões de bovinos, alta de 8,2% em relação ao ano anterior. A produção de carcaças atingiu 11,1 milhões de toneladas, avanço de 7,2%.
Ao mesmo tempo, o rebanho nacional caiu para 234,2 milhões de animais, recuo de aproximadamente 1,7%. O rebanho leiteiro também diminuiu, com queda de 2,7% no número de vacas ordenhadas, para 14,7 milhões.
Apesar da redução do rebanho leiteiro, a produção de leite cresceu cerca de 2,7% e alcançou o recorde de 36,7 bilhões de litros, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Emissões em alta na agricultura
Na agricultura, o principal avanço ocorreu no subsetor de solos manejados, que reúne emissões relacionadas ao manejo dos solos agrícolas, ao uso de fertilizantes nitrogenados e calcário, aos dejetos animais e à decomposição de resíduos agrícolas.
As emissões associadas a esse conjunto de atividades chegaram a 188,6 MtCO₂e em 2025, alta de 3% sobre os 183,2 milhões de toneladas registrados no ano anterior. Foi o maior volume da série histórica para o subsetor.
O aumento ocorreu em um ano de forte expansão da produção agrícola brasileira.
A safra de grãos alcançou 345,4 milhões de toneladas, um crescimento de 18,2% em relação a 2024. A área cultivada aumentou 4,1 milhões de hectares, chegando a 101,3 milhões de hectares.
As emissões associadas ao uso de fertilizantes sintéticos nitrogenados somaram 33 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, enquanto as relacionadas ao uso de calcário atingiram 29,2 MtCO₂e. Juntas, essas duas fontes responderam por 9,9% das emissões brutas da agropecuária.
Também houve aumento nas emissões do manejo de dejetos animais, que somaram 29,4 MtCO₂e, alta de 0,7%, e do cultivo de arroz irrigado, com 11,2 MtCO₂e, avanço de 13%.
Na direção contrária, as emissões decorrentes da queima de resíduos agrícolas da cana-de-açúcar caíram 30,3%, para cerca de 0,3 MtCO₂e, a maior redução percentual entre os subsetores analisados.
Para o Imaflora, os resultados mostram que o aumento da produção agropecuária pode ser acompanhado por medidas de mitigação das emissões, desde que haja avanço na adoção de tecnologias e boas práticas de manejo. Segundo Quintana, é uma oportunidade de conciliar aumento de produção com mitigação das emissões.
Fonte: CNN Brasil






