As alterações no clima deixaram de ser uma projeção para o futuro e já provocam impactos severos na lavoura, na oferta de água e nos gastos da atividade agrícola nacional. A questão foi o foco central de uma recente edição do podcast Agro de Primeira, conduzido por Edevaldo Nascimento, que entrevistou o físico ambiental Higo José Dalmagro, docente e coordenador acadêmico.
Impacto dos gases estufa no campo
Durante a conversa, o pesquisador detalhou que a concentração elevada de poluentes atmosféricos desregula o clima global, resultando em tempestades volumosas, ondas de calor e estiagens prolongadas mais recorrentes.
“Eventos de seca, de chuva que eram naturais, que sempre aconteceram e vão continuar acontecendo, estão vindo com uma frequência maior e com uma intensidade maior, porque esse fundo está sendo aumentado ano após ano”, afirmou.
O papel estratégico da Amazônia
A conservação da floresta amazônica também entrou em pauta devido à sua relevância na manutenção das precipitações pluviométricas nas áreas agrícolas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Os chamados rios voadores atuam no transporte da umidade gerada na região norte, tornando-se um pilar indispensável para a sustentabilidade da produção de alimentos no Brasil.
Em paralelo, o especialista defende que o país possui plenas condições de crescer no setor produtivo sem precisar desmatar novas áreas de vegetação nativa.
Inovação e recuperação de áreas
Entre as soluções apontadas estão a adoção de sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta, além da revitalização de pastagens que hoje se encontram degradadas, elevando a produtividade por meio de métodos sustentáveis.
Para o físico ambiental, os reflexos do aquecimento global atingem diretamente o ciclo hídrico, o fornecimento de energia e a preservação ambiental. O episódio também abordou fenômenos como o El Niño, os incêndios florestais e as secas severas que atingiram o Pantanal nos últimos tempos.
Apesar do cenário desafiador, o especialista demonstra confiança no potencial tecnológico e científico da nação para enfrentar a crise.
“Eu sou otimista porque acho que a gente tem tecnologia, a gente tem capacidade, tem muita pesquisa que dá esse caminho tanto da adaptação quanto da mitigação dessas mudanças”, destacou.
Fonte: Primeira Página






