O fluxo comercial entre o Brasil e os Estados Unidos encerrou os nove primeiros meses de 2026 com um déficit de US$ 4,3 bilhões para o lado brasileiro. Entre janeiro e setembro, os embarques nacionais para o mercado norte-americano somaram US$ 27,5 bilhões, o que representa uma retração acumulada de 6,5% — uma perda de aproximadamente US$ 1,9 bilhão em receitas na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Impacto das sobretaxas nas vendas externas
O recuo nas exportações foi puxado principalmente pelas mercadorias submetidas a tarifas alfandegárias mais pesadas. Conforme apontam os dados do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil a partir do sistema Comexstat, os produtos sujeitos a encargos adicionais registraram uma queda de 8,1% no acumulado do ano, frente a um decréscimo de 5,1% entre os itens livres de sobretaxas.
A situação foi ainda mais crítica para os bens atingidos pelas alíquotas mais severas, fixadas em 25% ou 37,5%. Dentro dessa faixa tarifária, os despachos despencaram 25,4%, gerando um prejuízo de cerca de US$ 1,4 bilhão.
Produtos mais afetados pelo tarifaço
Entre os dez principais itens que enfrentam as maiores alíquotas de importação nos EUA, nove sofreram contração nos envios ao longo de 2026. A lista de perdas inclui:
A madeira de coníferas liderou as baixas com um tombo de 50,6%, seguida por granitos trabalhados (-34,1%), sebo bovino (-33,4%), fumo não manufaturado (-32,2%) e portas de madeira (-29,3%).
Desempenho negativo nos principais setores econômicos
A retração nos negócios com os norte-americanos atingiu os três grandes segmentos produtivos do país. Na agropecuária, as remessas aos Estados Unidos encolheram 17,8% de janeiro a setembro. Em contrapartida, as vendas do agronegócio brasileiro para o restante do mundo avançaram 8,9% no mesmo intervalo.
O contraste também se repetiu na indústria extrativa, cujos envios para os EUA caíram 32%, enquanto as exportações para outros destinos globais cresceram 21,2%. Já a indústria de transformação teve um recuo de 1,2% em direção ao mercado americano, na contramão da alta de 6,3% registrada para outros parceiros comerciais. Apesar desse resultado desfavorável, os Estados Unidos seguem como o principal cliente desse segmento fabril, absorvendo 15,7% de tudo o que o Brasil exporta na área.
Reação pontual em setembro e comportamento das importações
Apesar do balanço negativo no acumulado do ano, o mês de setembro trouxe um alívio pontual: as exportações brasileiras para território americano saltaram 31,9% ante setembro de 2025, atingindo US$ 3,5 bilhões. Esse crescimento foi impulsionado por uma elevação de 28% no preço médio praticado, com o volume físico embarcado subindo 3,1% — vale notar que a base comparativa do ano anterior era fraca devido à vigência de tarifas extras de até 50%.
Pelo lado das importações, as aquisições de itens norte-americanos pelo Brasil subiram 2,1% em setembro, alcançando a terceira alta mensal consecutiva, motivadas pelas compras de combustíveis (+108,5%) e máquinas de processamento de dados (+31,4%). Contudo, no cômputo de janeiro a setembro, as importações vindas dos EUA totalizaram US$ 31,8 bilhões, configurando uma redução de 7,1% em relação a 2025 e consolidando o saldo comercial desfavorável para o mercado brasileiro.
Fonte: Canal Rural






