Governo descarta reforma agrícola ampla com crédito rural em queda
Secretário de Política Agrícola diz que o próximo ministro vai enfrentar crédito em queda e dívida sem solução.
Edição: Tiago Frederighi
Ver resumoResumo
- Crédito rural caiu cerca de 30% entre julho e setembro, e a renegociação de dívidas segue incompleta.
- Nova lei do seguro rural (15.526/2026) protege recursos de cortes, mas falta definir o orçamento.
- Governo descarta reforma ampla da política agrícola e diz não haver “bala de prata”.
Ouvir a matéria
Narração
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, disse que o próximo ministro vai enfrentar “diversos desafios” para recolocar o setor nos eixos, sem espaço para uma reforma ampla na política agrícola. A renegociação de dívidas, por exemplo, deve continuar na mesa.
Segundo Campos, não há “bala de prata” para solucionar os problemas do campo, que envolvem restrições de crédito e custos altos.
“O endividamento continuará na pauta”, afirmou.
A execução do Plano Safra está baixíssima, segundo o secretário, por falta de solução para o endividamento. O acesso a linhas tradicionais de crédito bancário e a Cédulas de Produto Rural (CPR) caiu cerca de 30% entre julho e setembro.
A renegociação de dívidas rurais pela Medida Provisória 1.376/2026 alcançou R$ 19,8 bilhões na semana passada, dos mais de R$ 100 bilhões previstos. “Não tem nenhuma bala de prata para retomar a confiança do mercado financeiro”, disse o secretário.
Campos também apontou dificuldade para mudanças estruturais, como um Plano Safra plurianual, ideia defendida pela bancada ruralista e por entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Mesmo um consenso do setor esbarra na falta de espaço fiscal do governo.
O novo seguro rural obrigatório
A sanção da nova lei do seguro rural (15.526/2026) é uma “imposição legal”, segundo Campos, que vai resultar em mudanças no campo e em Brasília. Ainda não há clareza sobre a aplicação dos recursos do orçamento, protegidos de cortes e contingenciamentos.
Publicidade
Campos defende a obrigatoriedade do seguro rural em operações de custeio com subvenção federal, mas a medida depende de orçamento, calibração nas regras de acesso e definição de alíquota padrão.
Estão previstos R$ 1,2 bilhão para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em 2027, e as linhas equalizadas do Plano Safra 2026/27 para custeio e comercialização somam mais de R$ 78,2 bilhões.
O que acontece agora
O próximo ministro da Agricultura herda esse desafio. Vai precisar equilibrar o orçamento do seguro rural com a renegociação de dívidas ainda em curso. A Aprosoja já cobra um plano permanente contra a dívida rural do setor.
Perguntas e respostas
▸
Por que o governo não vê espaço para uma reforma ampla na política agrícola?
Porque o setor enfrenta endividamento alto, queda no crédito e falta de orçamento, segundo o secretário Guilherme Campos.
▸
Quanto caiu o acesso a crédito rural?
Cerca de 30% entre julho e setembro, nas linhas tradicionais de bancos e nas Cédulas de Produto Rural (CPR).
▸
O que diz a nova lei do seguro rural?
A Lei 15.526/2026 protege os recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural de cortes e contingenciamentos, mas ainda falta definir como aplicar o orçamento.
▸
Quanto já foi renegociado em dívidas rurais?
R$ 19,8 bilhões pela Medida Provisória 1.376/2026, de um total previsto de mais de R$ 100 bilhões.
▸
O que é o Plano Safra plurianual que o setor defende?
Uma mudança estrutural defendida pela bancada ruralista e pela CNA, que o governo considera difícil de viabilizar agora.
Fonte: TV Sim Brasil






