Completando seis meses de aplicação provisória neste domingo (1º), o Acordo de Parceria Mercosul–União Europeia já apresenta impactos expressivos para a economia nacional, com destaque para a alta de 14,8% em valor nas vendas externas do setor agropecuário brasileiro para os 27 países do bloco, totalizando US$ 12,21 bilhões no período de maio a setembro de 2026 em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior.
Crescimento nos embarques e diversidade de produtos
Os dados compilados pelo sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), revelam que o Brasil enviou 17,74 milhões de toneladas de mercadorias agrícolas e agroindustriais para o mercado europeu, registrando uma expansão de 8,1% no volume embarcado. O desempenho foi puxado principalmente pelo complexo soja, carnes, frutas e itens apícolas, marcando o início do aproveitamento das vantagens tarifárias estabelecidas pelo tratado.
O ministro André de Paula pontuou que o cenário evidencia a força do setor produtivo nacional. “O crescimento expressivo e a diversidade das exportações para a União Europeia demonstram a competitividade do agronegócio brasileiro”, afirmou.
Destaques por setores e novas preferências tarifárias
Entre os segmentos que registraram os maiores saltos proporcionais em valor estão os produtos apícolas, especialmente o mel, com avanço de 367%, e os oleaginosos (exceto soja), que cresceram 161%. Já as carnes subiram 103,5% em valor e saltaram de 101 mil para 272 mil toneladas em volume, alta de 170%. O complexo soja manteve a liderança na pauta e passou de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões.
O abacate destacou-se como o único item com expansão superior a 400%, disparando para US$ 19,87 milhões. O acordo, assinado em 17 de janeiro de 2026, integra mercados de cerca de 720 milhões de pessoas e prevê reduções graduais em tarifas para itens como café, carnes, açúcar e milho, com liberalização de até 99% das exportações agrícolas do Brasil.
Superávit comercial e exigências ambientais
Do outro lado da balança, as importações de produtos europeus alcançaram US$ 1,67 bilhão, alta de 3,3%. Com isso, o superávit do agronegócio nacional com o bloco saltou de US$ 9,01 bilhões para US$ 10,54 bilhões, um acréscimo de 17%.
Para manter o acesso a esse mercado, os produtores enfrentam rigorosas exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade. Como resposta a essas demandas, a Camex aprovou em setembro a Resolução CEC nº 17, instituindo o Relatório de Análise Socioambiental para Operações de Exportação (RASOE), que é gerado por meio da Plataforma Agro Brasil + Sustentável (AB+S). A ratificação definitiva do pacto ainda aguarda a aprovação formal de ambas as regiões.
Fonte: Conexão Marília






