Uma retomada das compras da China, exportações fortes para os Estados Unidos, uma oferta mais baixa de animais para abates devido ao ciclo pecuário e mais recentemente uma valorização do dólar frente ao real colocaram o preço da arroba do boi gordo do Brasil mais perto de R $400, um patamar recorde, com impactos para consumidores de carne.
No Estado de São Paulo, referência de mercado para o maior produtor e exportador global de carne bovina, a arroba está cotada a cerca de R$ 390, com alta de mais de 20% no acumulado do ano, sendo um terço desses ganhos registrados em outubro, conforme dados do centro de estudos Cepea.
Entre os fatores mais recentes de alta estão o interesse da China, que deverá voltar a importar carne do Brasil entre novembro e dezembro — visando o preenchimento da cota com tarifa menor de 2027 –, além de um dólar que teve uma valorização de 9,15% na semana passada, após o mercado reagir ao resultado do segundo turno das eleições.
Margem apertada
Para o ano que vem, Carvalho avalia que a cadeia como um todo deverá ver suas margens apertadas.
“A partir do consumidor, que vai ter que pagar mais caro pela carne bovina, se quiser comer carne bovina… Então há um ajuste ao longo da cadeia…, o próprio terminador, aquele que compra o bezerro, o boi magro para engordar, ele também encontra preços elevados…”, disse o especialista, citando que o “spread” entre a compra do boi e a venda da carne é um dos menores desde 2023.
Os analistas avaliam que isso se equilibra em algum momento. Pimentel, da Agrifatto, disse que essa margem menor para os frigoríficos em um primeiro momento, com a disparada do preço do boi, deve ser compensada adiante, com as exportações realizadas a um dólar mais elevado e na medida em que a China e os Estados Unidos elevem as compras, sustentando o preço na exportação.
“Estamos ampliando as exportações em primeiro lugar para os Estados Unidos, que são o mercado que paga bem”, disse ela, em referência ao segundo principal destino para a carne do Brasil.
Fonte: CNN Brasil






