Brasil defende previsibilidade e comércio de carne com os EUA

Brasil defende previsibilidade comercial e cooperação com os Estados Unidos durante encontro internacional do setor de carnes

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participou da 65ª Conferência Anual do Meat Import Council of America (MICA), em Scottsdale, no Arizona, para defender a ampliação da cooperação técnica e a segurança regulatória no comércio bilateral de carne bovina entre o Brasil e os Estados Unidos.

Cenário da pecuária nos Estados Unidos

Durante o evento realizado entre os dias 2 e 4 de novembro, o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Augusto Billi, apresentou as perspectivas para o abastecimento do mercado norte-americano. A discussão ocorreu em um momento de transição para a pecuária local, impactada pela redução histórica do rebanho bovino.

Conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país iniciou 2026 com 86,2 milhões de bovinos, o menor patamar desde 1951. Além disso, o volume de matrizes recuou para 27,6 milhões de cabeças, atingindo o menor nível da série histórica daquele país.

Complementaridade produtiva entre os países

Diante dessa retração na oferta interna norte-americana, a carne bovina brasileira atua como um insumo complementar para a indústria local. Os cortes magros exportados pelo Brasil são amplamente empregados na fabricação de carne moída e hambúrgueres, misturando-se a matérias-primas mais gordurosas da produção doméstica.

Em 2025, o Brasil alcançou a marca de mais de 12 milhões de toneladas produzidas, enviando o produto para 177 mercados diferentes. As projeções indicam que, em 2026, a participação brasileira nas exportações globais de carne bovina deverá alcançar cerca de 30%.

Eixos da atuação internacional brasileira

A estratégia apresentada pelo governo brasileiro no Arizona apoia-se em três pilares principais: a busca por maior previsibilidade nas regras de acesso, a intensificação do diálogo técnico com o USDA e a troca contínua de dados entre os agentes privados e governamentais de ambas as nações.

“Às vezes, quando falamos em comércio internacional, pensamos apenas em números, tarifas e toneladas exportadas. Mas, por trás de tudo isso, existem produtores, indústrias, empregos e famílias nos dois países. Nosso trabalho aqui é compreender essas conexões e encontrar formas de torná-las cada vez mais produtivas. Porque uma boa relação comercial não se mede apenas pelo que um país vende ao outro, mas pelo que ambos conseguem construir a partir dela”, destacou o secretário Augusto Billi.

A presença brasileira na conferência do MICA reforça o compromisso de longo prazo com o mercado norte-americano, priorizando a estabilidade das cadeias de suprimento e o rigor sanitário.

Fonte: GOV.BR

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