O agronegócio nacional enfrenta um ambiente externo adverso em 2026 e traça planos para ampliar mercados e reduzir a dependência de parceiros tradicionais. O setor lida com tensões geopolíticas severas, a exemplo do conflito na Ucrânia, da crise no Irã com bloqueios no Estreito de Ormuz, das salvaguardas da China à carne bovina válidas até outubro, além do aumento de tarifas nos Estados Unidos e de restrições da União Europeia ligadas a antimicrobianos, somados aos impactos climáticos do Super El Niño e à escassez de insumos e energia.
Tratados europeus impulsionam agregação de valor
Para mitigar a onda protecionista e o enfraquecimento de entidades multilaterais, a estratégia brasileira concentra esforços na efetivação de pactos bilaterais e regionais. A entrada em vigor dos acordos comerciais negociados pelo Mercosul com a União Europeia e com a Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA) coloca o país em contato direto com consumidores de alto poder aquisitivo.
O bloco da União Europeia reúne cerca de 452 milhões de habitantes, com renda per capita média de US$ 62.930. O documento inclui o chamado Pacote de Brasília, que estabelece diretrizes de reequilíbrio para solucionar divergências comerciais bilaterais. Já a EFTA, embora menor em população, com 15,18 milhões de pessoas, ostenta um PIB per capita médio de US$ 106.786. Ambos os blocos representam oportunidades para elevar o tíquete médio das exportações agrícolas com mercadorias processadas e de alto padrão sanitário.
Novas frentes na Ásia e nas Américas
Diante do protecionismo norte-americano, o Brasil acelera negociações e consultas públicas com outras potências econômicas. Japão e Coreia do Sul despontam como alternativas para absorver cortes bovinos, além de demandas por etanol, frutas, alimentos processados e o combustível sustentável de aviação (SAF).
Parcerias estratégicas e segurança de insumos
As conversas também avançam com países populosos como Índia e Vietnã. No caso do Canadá, a prioridade envolve assegurar o suprimento de fertilizantes essenciais para a produção agrícola nacional.
Com a Indonésia, as negociações buscam destravar pendências remanescentes após vitória brasileira na Organização Mundial do Comércio (OMC) referente à carne de frango. O comércio entre as duas nações exibe forte complementaridade: os produtores brasileiros vendem açúcar, farelos, tabaco e petróleo, enquanto compram borracha, calçados, carvão e óleos vegetais. No Oriente Médio, os Emirados Árabes Unidos buscam garantir abastecimento alimentar e surgem como destino estratégico para produtos acabados.
O plano traçado para as próximas décadas prevê transformar a atuação internacional do país, consolidando a transição de mero fornecedor de matérias-primas para um centro fornecedor de produtos elaborados e com valor agregado no mercado global.
Fonte: Forbes Brasil






