A produção da agroindústria brasileira registrou um recuo de 2,7% no mês de agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pelo Índice de Produção Agroindustrial, da FGV (Fundação Getulio Vargas). Esse resultado marca a quarta retração interanual consecutiva do setor, fazendo com que o acumulado dos oito primeiros meses de 2026 atinja uma queda de 1%.
Impacto dos produtos não alimentícios
O principal peso para o desempenho negativo veio do segmento de produtos não alimentícios, que apresentou uma retração de 5,4% na mesma base de comparação. Dentro dessa categoria, a fabricação de insumos agropecuários despencou 18,3% em agosto, estabelecendo o pior resultado para o mês desde o início da série histórica do indicador, em 2023.
De acordo com o FGV Agro, o tombamento foi impulsionado pela menor fabricação de intermediários para fertilizantes, adubos, defensivos agrícolas, além de tratores e máquinas agrícolas, cenário que permanece reflexo do conflito no Oriente Médio. Em contrapartida, o setor de produtos alimentícios e bebidas registrou uma baixa mais amena, de 0,3% no período.
Desempenho de alimentos e bebidas
Analisando especificamente a divisão de alimentos, a queda foi de 1% em agosto frente ao mesmo mês de 2025. Os itens de origem vegetal recuaram 1,4%, com reduções em conservas, sucos, produtos da moagem de trigo e açúcar refinado, embora o avanço na produção de café, óleos, gorduras e arroz tenha atenuado a baixa.
Nos alimentos de origem animal, o recuo foi de 0,8%, puxado pela menor oferta de carne bovina e pescados, apesar do crescimento registrado em carne suína, aves e laticínios. O estudo aponta que a contração na produção de carne bovina decorre primordialmente do esgotamento da cota chinesa para a proteína brasileira.
Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária mencionados na pesquisa revelam que o volume exportado para a China sofreu uma queda drástica de 89,9% em agosto, quando comparado a 2025. Na contramão, a produção de bebidas avançou 4,4%, impulsionada tanto pelo segmento alcoólico (2,3%) quanto pelo não alcoólico (6,4%).
Perda de dinamismo ao longo do ano
No acumulado de janeiro a agosto, a divisão de alimentos e bebidas ainda mantém alta de 0,5%, impulsionada por um crescimento de 0,2% nos alimentos e de 2,3% nas bebidas, mas o montante não foi suficiente para neutralizar as perdas do setor não alimentar.
O levantamento do FGV Agro evidencia uma perda gradual de ritmo da atividade agroindustrial ao longo de 2026. Nos primeiros quatro meses do ano, o indicador acumulava alta de 0,8%, mas a sequência de variações negativas nos meses seguintes empurrou o acumulado para o terreno negativo.
Especialistas atribuem a trajetória desfavorável a fatores macroeconômicos como taxas de juros elevadas, enfraquecimento do mercado interno, restrição na renda das famílias e incertezas do cenário eleitoral. O desfecho dessa desaceleração dependerá de como o mercado responderá politicamente, com novos reflexos esperados para o próximo balanço do indicador, programado para novembro.
Fonte: CNN Brasil






