A proteção financeira contra intempéries no campo é um dos principais obstáculos que o futuro chefe do Executivo precisará enfrentar para garantir a estabilidade do setor agropecuário brasileiro.
Desafios climáticos e o impacto no crédito
Em meio a períodos de estiagem rigorosa, excesso de chuvas e quebras frequentes na colheita, a mitigação de riscos torna-se indispensável para impedir que prejuízos pontuais destruam safras inteiras e inviabilizem a quitação de dívidas e novos financiamentos nos anos seguintes.
As diretrizes de Flávio Bolsonaro
O plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL) foca na expansão da cobertura de proteção para blindar os agricultores contra perdas na atividade produtiva, associando o benefício diretamente à previsibilidade financeira e ao planejamento a longo prazo.
Apesar de vincular a iniciativa à reorganização contábil do setor diante da alta vulnerabilidade climática, a proposta peca pela falta de especificidade ao omitir dados sobre modalidades prioritárias, metas numéricas de expansão territorial e o volume de recursos públicos destinados ao subsídio.
Os planos de Luiz Inácio Lula da Silva
Por sua vez, o programa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfatiza o fortalecimento das políticas vigentes e a construção conjunta de mecanismos para conter os danos causados por grandes catástrofes agrícolas.
O projeto inclui medidas voltadas à resiliência climática, como o investimento em técnicas de irrigação, conservação do solo, agricultura de precisão e aprimoramento dos alertas meteorológicos, além de prever a expansão do acesso ao Garantia-Safra para a agricultura familiar.
Contudo, assim como o adversário, o texto petista deixa de detalhar orçamentos, cronogramas de execução e metas quantitativas para ampliar o número de beneficiários ou a extensão de terras seguradas no país.
A vulnerabilidade da área cultivada
Um dos grandes gargalos do financiamento no campo reside na escassez de proteção contratada, visto que levantamentos da CNseg apontam que apenas 3,3% da área agrícola contava com cobertura em 2025, um recuo expressivo na comparação com os 16,3% registrados em 2021.
A queda na adesão dificulta a transferência de riscos ao mercado segurador, deixando o produtor desamparado financeiramente diante de quebras drásticas de safra que comprometem a capacidade de investimento para os ciclos futuros.
Embora a sanção recente de um marco regulatório traga novas perspectivas para o setor, a eficácia dessas medidas dependerá da aplicação prática e da garantia de verbas federais para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
O sucesso da política agrícola dependerá da capacidade do próximo governo em transmutar promessas eleitorais em diretrizes concretas, com financiamento sólido e ferramentas adequadas para blindar os produtores rurais.
Fonte: CNN Brasil






