Doença de Newcastle: China bane 14 plantas de SC e México fecha fronteiras

Newcastle: China suspende aves de 14 frigoríficos de SC; México bloqueia todo o Brasil

O registro de um foco da Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus situada em Nova Itaberaba, em Santa Catarina, provocou barreiras sanitárias imediatas impostas por importantes parceiros comerciais do setor de proteína animal do Brasil. Enquanto o mercado chinês optou por uma interrupção restrita ao território catarinense, o governo mexicano decretou o veto total às compras de itens avícolas vindos de todo o país.

Impacto das restrições chinesas na agropecuária

A Administração-Geral de Alfândegas da China modificou o cadastro internacional e paralisou temporariamente a entrada de mercadorias de 14 unidades produtivas localizadas em solo catarinense. O embargo afeta aproximadamente 23% das 61 plantas brasileiras autorizadas a negociar com os chineses, atingindo instalações da Cooperativa Aurora, Seara, MBRF e JBS Aves.

A escolha de Pequim por limitar a proibição ao estado catarinense é tratada pelo setor como uma “vitória parcial’ na defesa da agropecuária nacional. Mesmo com o acordo bilateral exigindo a interrupção geral dos envios brasileiros, o governo do Brasil negociou a adoção do princípio da regionalização, salvando a economia de polos exportadores fundamentais, a exemplo do Paraná. Sendo o maior cliente individual da avicultura brasileira, a China importou quase 10% do total vendido de janeiro a setembro de 2026, somando cerca de 420 mil toneladas.

Reação rigorosa e paralisação no México

Em direção oposta à medida pontual de Pequim, as autoridades mexicanas endureceram as regras. O Serviço Nacional de Saúde, Segurança e Qualidade Agroalimentar bloqueou as aquisições de derivados de aves de território brasileiro para proteger o status sanitário local, visto que o país se mantém livre do vírus.

A medida do México cancelou os registros no sistema oficial e travou a chegada de carnes frescas, miúdos, ovos, aves ornamentais e animais de estimação. A interrupção afeta diretamente duas frentes comerciais em alta:

  • Carne de peru: o México se firmou como principal destino dessa proteína em 2026, absorvendo 6.825 toneladas entre janeiro e abril — alta de 319,7% em volume e 627,4% em faturamento, alcançando R$ 153,5 milhões. O embargo interrompe o ritmo de recuperação do setor, que comercializou 22.328 toneladas no primeiro quadrimestre com preço recorde de R$ 20,3 mil por tonelada, com predominância de produto in natura.
  • Carne de frango: o México figura como o 7º maior importador do frango brasileiro, respondendo por quase 30% das compras mexicanas do item, com 244,39 mil toneladas adquiridas no decorrer de 2025.

Segurança alimentar e esclarecimentos oficiais

O Ministério da Agricultura e Pecuária e as lideranças produtivas seguem repassando dados técnicos aos governos estrangeiros para comprovar o rigor no controle sanitário em Santa Catarina, visando reverter as proibições com agilidade.

Tanto o MAPA quanto as entidades setoriais foram categóricos ao esclarecer que o consumo de produtos avícolas inspecionados permanece absolutamente seguro.

A ABPA, a ACAV e o Sindicarne-SC enfatizaram que a situação é estritamente de sanidade animal no ambiente produtivo, sem qualquer relação ou risco para a segurança dos alimentos oferecidos à população.

Fonte: Rádio Itatiaia

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