Soja recua em chicago e brasil confirma novo caso de newcastle em santa catarina

Bom Dia Agro - Soja abre a segunda-feira recuando mais de 1% e Brasil confirma mais um caso de Newcastle em SC

O agronegócio brasileiro e internacional iniciou a semana com forte volatilidade, registrando perdas expressivas nas principais commodities agrícolas nas bolsas globais devido ao avanço da colheita nos Estados Unidos e às oscilações nos mercados financeiros. No âmbito nacional, o setor produtivo repercute o cenário político pós-eleitoral, variações cambiais e atualizações sanitárias importantes.

Quedas nas bolsas internacionais

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja abriram o dia com perdas superiores a 1%, negociados abaixo de US$ 12,50 por bushel, pressionados pelo avanço da colheita no Meio-Oeste norte-americano, que já alcançou 64% da área cultivada. O milho também registrou recuo, enquanto o trigo operou com estabilidade. Em Nova York, o algodão caiu cerca de 1%, o açúcar recuou mais de 2% — acompanhando a desvalorização do petróleo Brent —, e o café registrou perdas entre 1% e 2% diante das incertezas sobre a oferta global.

Análise de mercado e custos de logística

O analista Eduardo Vanin apontou que o cenário cambial, com a valorização do dólar frente ao real, gera efeitos mistos para os produtores brasileiros.
“O câmbio subindo vai ser positivo para a precificação da soja e do milho”, destacou Vanin, ressaltando que o ritmo de vendas do milho está acelerado em 67%, enquanto a comercialização da soja caminha de forma mais lenta.

Por outro lado, o especialista alertou para a alta nos custos operacionais e de transporte. “O maior impacto, além do custo para o produtor, é no frete. Alguém vai ter que pagar essa conta mais salgada”, afirmou, citando o impacto do diesel e das taxas de juros na logística.

Erros do USDA e impacto global

As negociações também foram influenciadas pelo reconhecimento de um erro metodológico do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos nos relatórios de rendimento de milho de setembro, afetando lavouras no Kansas e em Nebraska. A falha gerou críticas severas de entidades setoriais, como a National Corn Growers Association, cujo presidente Matt Frostic apontou prejuízos bilionários aos produtores. Com isso, o milho norte-americano perde competitividade para o Brasil e a Argentina na Ásia.

Mercado interno e sanidade animal

No cenário doméstico, o Cepea apontou alta nos preços do feijão devido à demanda e à oferta restrita, agravada pelo excesso de chuvas no Sul do país, que também encareceu a mandioca no Paraná. Paralelamente, o Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou um novo foco da Doença de Newcastle em Coronel Freitas, Santa Catarina, com ações de contenção e vigilância em andamento.

Cenário político e prioridades do campo

A economia e o campo também reagem à definição do segundo turno presidencial, que garantiu a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O setor produtivo reforça pautas prioritárias como crédito rural, seguro agrícola e melhorias logísticas. Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro anunciou que pretende contestar o resultado na Justiça Eleitoral após críticas ao processo de votação, mantendo o mercado atento aos desdobramentos institucionais.

Fonte: Notícias Agrícolas

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