População de jumentos no Brasil cai 94% com avanço do ejiao chinês
Abate ilegal para exportar a pele à China reduziu o rebanho de 1,37 milhão para 78 mil animais desde os anos 90.
Edição: Tiago Frederighi
Ver resumoResumo
- População de jumentos no Brasil caiu 94% desde os anos 90, de 1,37 milhão para 78 mil animais.
- O abate ilegal exporta a pele para a China, usada na produção do ejiao, remédio tradicional chinês.
- O Senado analisa o PL 2.613/2026, que proíbe o abate em todo o país, exceto por motivo sanitário.
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Narração
O Brasil perdeu 94% de sua população de jumentos desde os anos 90, caindo de 1,37 milhão para 78 mil animais, segundo dados do IBGE e da FAO citados em projeto que tramita no Senado. O abate ilegal exporta a pele à China.
A pele vira matéria-prima do ejiao, remédio chinês feito de colágeno animal, e pode valer até US$ 4 mil no mercado internacional.
A série mostra o ritmo: 1,37 milhão de cabeças nos anos 90, 900 mil em 2011, 371 mil em 2017 e 78 mil em 2025. Pesquisadores apontam risco de extinção até 2030. O dado está no projeto do Senado.
A bióloga Patrícia Tatemoto, consultora do The Donkey Sanctuary e pesquisadora do tema há oito anos, explica que só a pele do animal interessa ao comércio. “Para a medicina tradicional chinesa, só vale quando é a pele e o colágeno do jumento”, afirma.
O transporte dos animais até os pontos de abate é um dos elos mais graves da cadeia. Segundo Tatemoto, parte dos jumentos morre no caminho por doenças respiratórias subnotificadas. “Parece uma pneumonia e por isso é subnotificada… 96% de chance de morrer”, diz.
Ela também relata falhas na documentação de origem dos animais: “Este não é um documento verossímil quanto à origem.”
O que a lei brasileira pretende mudar?
A lei em discussão, o PL 2.613/2026, proíbe o abate do jumento em todo o território nacional, exceto por motivo sanitário. O texto nasceu da Sugestão Legislativa 9/2025, apresentada pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal.
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O relator, senador Fabiano Contarato (PT-ES), deu parecer favorável na Comissão de Direitos Humanos. “Além de preservar a espécie frente ao risco iminente de extinção, a medida promove o bem-estar animal”, disse.
Em abril, a 1ª Vara Federal Cível da Bahia já havia determinado o fim do abate na região por decisão judicial. Na Câmara, mais de 120 propostas sobre o tema tramitam desde 2022, incluindo o PL 1973/22.
A justificativa do projeto também cita risco sanitário: peles sem rastreabilidade podem espalhar doenças como o mormo entre cavalos. José Roberto Lima, da Comissão de Medicina Veterinária Legal da Bahia, descreve a captura: “Os animais são capturados pelo Nordeste inteiro… depois levados para exportação.”
Para Tatemoto, a perda vai além do número de cabeças.
O jumento nordestino desenvolveu, em 500 anos no país, um genoma adaptado a áreas desertificadas que não existe em nenhum outro lugar do mundo. É um patrimônio genético relevante justamente em um período de crise climática, segundo a pesquisadora.
O que acontece agora
O prazo de emendas ao PL 2.613/2026 terminou em julho, e o texto aguarda votação nas comissões do Senado, sem data definida. Como alternativa, pesquisadores da UFPR desenvolvem colágeno sintético para substituir o de origem animal no ejiao.
Fontes desta matéria
Documentos e dados que sustentam o que você leu. Abrem em outra aba.
- Projeto proíbe abate de jumentos devido ao risco de extinçãoFonte primáriaLei ou norma· Senado Federal
- Comissão de Meio Ambiente debate projetos que proíbem o abate de jumentos no BrasilFonte primáriaDocumento oficial· Câmara dos Deputados
- Remédio chinês coloca jumentos em risco no BrasilImprensa· Estado de Minas
- Pele para a China, extinção no Nordeste: Senado debate fim do abate de jumentosImprensa· Movimento Econômico
Perguntas e respostas
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Por que o jumento está sendo abatido no Brasil?
Para exportar a pele à China, onde é usada na produção do ejiao, remédio da medicina tradicional chinesa feito com o colágeno do animal.
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O que diz o PL 2.613/2026?
O projeto, em análise no Senado, proíbe o abate do jumento em todo o território nacional, exceto em casos de abate sanitário por doença infectocontagiosa.
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Quanto vale a pele de um jumento exportada?
Pode chegar a US$ 4 mil no mercado internacional, segundo dados citados na tramitação do projeto no Senado.
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Existe alternativa ao colágeno de jumento no ejiao?
Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná desenvolvem colágeno produzido por micro-organismos para substituir o de origem animal.
Fonte: TV Sim Brasil






