Milhões de dólares muitas vezes permanecem estagnados em silos-bolsa ou pastagens nas fazendas sem que o sistema financeiro reconheça esse patrimônio como garantia válida para a obtenção de empréstimos, uma lacuna que motivou a criação da SiloReal, empresa com atuação no Brasil e na Argentina focada em redefinir a avaliação de riscos no agronegócio.
A origem da empresa e sua evolução A iniciativa nasceu da vivência de Delfín Uranga, empresário argentino com mais de vinte anos de experiência no setor rural, ao notar o contraste entre o valor econômico dos bens familiares e a recusa dos bancos em considerá-los adequadamente durante análises de crédito, limitando-se a balanços enxutos ou históricos financeiros.
Fundada há quatro anos, a companhia iniciou suas atividades validando grãos estocados e posteriormente expandiu a plataforma para o setor pecuário, operando atualmente com um volume impressionante de recursos fiscalizados em toda a região.
“O ativo existe: o que faltava era identidade e comprovação”, resume Uranga.
Inovação na verificação de ativos Para solucionar esse entrave, a organização desenvolveu um sistema que funciona como um passaporte digital, reunindo dados detalhados sobre a titularidade, localização e estado da mercadoria de forma remota e sem que os produtos precisem deixar a propriedade rural.
“Funcionamos como uma agência de viagens: emitimos uma passagem digital para que a confiança e o valor do ativo possam viajar até um banco, uma seguradora ou um comprador, sem a necessidade de transportar fisicamente a mercadoria”, descreve o fundador.
O ecossistema tecnológico combina o monitoramento por satélite com fotos georreferenciadas, análises de laboratório e registros de colheitadeiras para gerar o chamado Ativo Físico Verificado (AFV), permitindo que o produtor utilize suas colheitas e seu rebanho sem imobilizar a gestão diária do negócio.
“A verificação não se limita a constatar que o grão existe: também procura comprovar quem é seu proprietário, em quais condições se encontra e se está contratualmente comprometido com outra operação”, diz.
Modelo de negócios e expansão internacional Atendendo no formato B2B2F, a agtech fornece suporte tecnológico para instituições financeiras como Banco Galicia, Santander e a plataforma Nera, além de companhias de seguros e tradings, viabilizando transações comerciais seguras e ampliando a oferta de crédito rural.
“Não emprestamos, não compramos e não fazemos seguros. Construímos a camada de confiança para que aqueles que fazem isso possam finalmente enxergar o que existe no campo”, afirma Uranga.
Após captar um total de US$ 5 milhões desde sua fundação e concluir uma nova rodada de investimentos no valor de US$ 2,5 milhões, a empresa mira a consolidação de suas operações no mercado brasileiro e planeja futuras expansões para Colômbia, México, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.
“O que queremos é que um produtor possa se financiar com aquilo que já possui no campo, sem depender exclusivamente de um balanço patrimonial ou de um histórico de crédito”, conclui Uranga.
Fonte: Forbes Brasil






