Importação de trigo do Brasil sobe a 9 milhões de toneladas
Abitrigo revisou a estimativa de 7 milhões para 9 milhões depois que chuva e doenças derrubaram a qualidade da safra
Edição: Tiago Frederighi
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- Abitrigo projetava 7 milhões de toneladas em maio; a estimativa subiu para 9 milhões em setembro
- Chuva, granizo e doenças fúngicas derrubaram a qualidade dos primeiros lotes colhidos
- Colheita nacional está em 36,4% da área, à frente do ritmo do ano passado
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Narração
A Abitrigo, associação da indústria de trigo, projeta que o Brasil importe até 9 milhões de toneladas do cereal em 2026, puxado pela perda de qualidade da safra interna. O volume é 31% maior que os 6,87 milhões de toneladas trazidos de fora em 2025.
Em maio, a mesma entidade projetava cerca de 7 milhões de toneladas. A estimativa subiu para 7,5 milhões em setembro e, agora, para 9 milhões, à medida que o impacto do clima sobre a safra ficou mais claro.
A produção nacional é estimada em 5,7 milhões de toneladas, mas o volume realmente disponível aos moinhos deve ser menor. Segundo a Abitrigo, o total produzido não diz tudo: pesam também a qualidade e a localização dos lotes.
Os números mostram que a colheita avança mais rápido que o normal, mas em pior estado: tem mais trigo saindo do campo, só que de qualidade inferior.
A colheita nacional chegou a 36,4% da área em 2 de outubro, acima dos 31% do mesmo período do ano passado. No Paraná, o segundo maior produtor do país, a colheita já tinha avançado a 70% da área em 5 de outubro.
O problema não é falta de lavoura, é qualidade: chuva persistente, granizo e doenças como giberela e brusone atingiram os primeiros lotes colhidos, reduzindo o peso dos grãos e derrubando a classificação do trigo para os tipos 2 e 3.
Isso encareceu o trigo tipo 1, o de melhor qualidade.
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Parte da pressão vem de fora: em agosto, o trigo chegou ao maior preço em três anos no mercado internacional, com a escalada da guerra no Mar Negro.
A oferta mundial também aperta: em julho, a produção de trigo nos EUA caiu ao menor nível desde 1970, reduzindo a disponibilidade do grão no mercado internacional.
No consumidor final, a cesta básica caiu em 25 capitais em setembro, mas ainda acumula alta no ano; o trigo é um dos itens que pesam nessa conta.
A alta no trigo já vinha pressionando o preço do pão francês, das massas e dos biscoitos desde abril, quando a indústria previu reajuste de 5% a 10% na farinha repassada ao consumidor.
O que acontece agora
A colheita segue até o fim de outubro nos estados do Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, onde a umidade ainda atrasa a retomada das máquinas. A Abitrigo deve atualizar a projeção de importação à medida que mais lotes forem classificados.
Fontes desta matéria
Documentos e dados que sustentam o que você leu. Abrem em outra aba.
- Brasil deve importar 9 mi de t de trigo e Argentina pode ampliar oferta com safra acima do normalFonte primáriaDado oficial· Safras & Mercado
- Trigo de qualidade fica mais escasso no Sul e clima pressiona preços da safra 2026Imprensa· Portal do Agronegócio
Perguntas e respostas
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Por que o Brasil vai importar mais trigo em 2026?
Porque chuva, granizo e doenças fúngicas reduziram a qualidade da safra interna, mesmo com a colheita avançando mais rápido que o normal.
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Quanto o Brasil deve importar em 2026?
Até 9 milhões de toneladas, segundo a Abitrigo, 31% a mais que os 6,87 milhões importados em 2025.
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Isso vai encarecer o pão?
A indústria já havia previsto reajuste de 5% a 10% na farinha repassado ao consumidor desde abril, por causa da entressafra e da menor oferta interna.
Fonte: TV Sim Brasil






